Mercado do gado gordo mantém firme tendência altista e indústria pressiona por mais hacienda, afirmou Mauro Fernández
O mercado paraguaio de hacienda gorda de exportação continua mostrando sinais firmes de recuperação e consolidando uma tendência altista nos valores, em um cenário marcado por uma forte pressão compradora da indústria frigorífica, entradas curtas nas plantas e uma oferta ainda limitada por questões climáticas e logísticas.
De maneira a analisar essa situação, Mauro Fernández, diretor de MF Negocios Rurales, concedeu uma entrevista em Valor Agregado, onde afirmou que o negócio atravessa um momento de alta demanda e maior dinamismo nas negociações entre indústrias e produtores.
"Vínhamos praticamente de um mês de preços estancados ou nivelados, mas já desde a semana anterior vimos altas que começaram sendo pequenas e depois as distintas plantas começaram a subir mais rapidamente os valores", expressou.
Fernández indicou que atualmente as referências para machos e vaquillas se situam entre US$ 4,85 e US$ 4,90 por quilo de carcaça, enquanto que as vacas oscilam entre US$ 4,55 e US$ 4,60, embora tenha ressalvado que existem diferenças entre indústrias e operações pontuais.
"Há plantas que estão pressionando um pouco mais a compra e isso faz com que se vá disputando negócio a negócio entre todos", comentou.
O operador ressaltou que as entradas continuam sendo curtas em praticamente todas as plantas frigoríficas, em parte pelas dificuldades de extração derivadas dos problemas climáticos e de estradas, principalmente no Chaco. A isso se soma uma semana reduzida pelos feriados, fator que também incrementou a necessidade de hacienda por parte da indústria.
"Vimos plantas que inclusive trabalharam no domingo, algo que não é habitual. Evidentemente querem ganhar tempo por causa do feriado", assinalou.
Fernández afirmou que, apesar dos avanços recentes, muitos produtores consideram que o mercado ainda tem margem para continuar subindo, especialmente ao comparar a situação paraguaia com os valores internacionais da carne. "Segundo estudos e informação internacional, Paraguai deveria estar acima dos US$ 5 e hoje venimos raspando esses valores", afirmou.
Nesse contexto, indicou que existe certa percepção entre os produtores de que a indústria busca evitar que os preços "disparem", enquanto as operações continuam fechando caso a caso.
Outro dos fatores que hoje impacta no ânimo do produtor é o comportamento do dólar. Fernández advertiu que a queda do tipo de câmbio reduziu significativamente o poder de compra do pecuarista em moeda local. "O tipo de câmbio é talvez a principal preocupação do produtor. Perdemos entre 25% e 30% do poder desde os máximos alcançados no ano passado", afirmou.
Apesar disso, destacou que os atuais valores continuam sendo historicamente altos para o Paraguai, embora muitos produtores entendam que ainda deveriam refletir melhor as cotações internacionais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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