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Economia

Banco Central não atuará sobre o dólar e o negócio pecuário terá de se adaptar à incerteza cambial

13/05/2026 03:45 3 min lectura 0 visualizações
Banco Central no actuará sobre el dólar y el negocio ganadero deberá adaptarse a la incertidumbre cambiaria

A forte queda do dólar frente ao guaraní se transformou em uma das maiores preocupações para o negócio pecuário paraguaio. Apesar de que os preços do gado gordo e da carne alcancem níveis historicamente altos, desde a Associação Rural do Paraguai (ARP) advertem que a desvalorização da moeda estadunidense está atingindo com força o produtor primário, especialmente o invernador, que vende em dólares mas mantém praticamente todos os seus custos em guaraníes.

Em conversa com Valor Agregado, o secretário-geral da ARP, Martín Filártiga, confirmou que representantes do sindicato mantiveram recentemente uma reunião com autoridades do Banco Central do Paraguai (BCP) para transmitir a preocupação do setor e conhecer a visão oficial sobre o comportamento da taxa de câmbio.

"Hoje o que mais nos preocupa é a taxa de câmbio", afirmou Filártiga, que explicou que o setor pecuário atravessa uma situação inédita. "Estamos com preços históricos, tanto a nível interno quanto internacional, mas o problema é que o produtor vende em dólares e tem praticamente 100% de seus custos em guaraníes", sustentou.

Conforme explicou o dirigente rural, durante o encontro o Banco Central apresentou os fundamentos econômicos que explicam a queda do dólar e deixou claro que não prevê intervir no mercado enquanto a moeda estadunidense continuar se comportando de maneira similar ao que ocorre globalmente.

"O que eles nos disseram é que o Banco Central não vai intervir enquanto o dólar continuar se comportando como se comporta no mundo", assinalou Filártiga.

Desde a ARP entendem que o impacto sobre o produtor é significativo, principalmente porque muitos insumos ficaram ajustados aos valores do dólar registrados em 2025, quando a divisa chegou a superar os G. 8.000. "Todos os insumos tiveram um salto com esse dólar acima de 8.000 guaraníes. Depois o dólar caiu, mas os insumos já não caíram", ressaltou.

O dirigente sustentou que, embora hoje o novilho gordo seja negociado na faixa de US$ 4,80 a US$ 5,00 por quilo carcaça, o efeito da taxa de câmbio reduz consideravelmente o poder de compra do produtor. "Com o dólar a 6.050 ou 6.100 é como se estivéssemos vendendo a US$ 3,60 ou US$ 3,70", exemplificou.

Filártiga reconheceu que a Rural ainda não maneja uma estimação concreta das perdas econômicas geradas por essa situação, embora tenha afirmado que a deterioração da competitividade é evidente e gera incerteza dentro do setor. "Um pico como este nunca tivemos. Somos o país onde mais se desvalorizou a moeda estadunidense na região, chegando a 25%", indicou.

Durante a reunião, o Banco Central também sugeriu algumas ferramentas financeiras para tentar reduzir a exposição cambial, entre elas operações forward, endividamento em dólares e mecanismos de cobertura financeira.

Contudo, desde a Rural consideram que o produtor deverá começar a buscar rentabilidade ajustando outras variáveis do negócio, já que não existem sinais de uma eventual intervenção oficial no mercado cambial. "Hoje não há nenhum indício que faça intervir o Banco Central conforme suas regras", comentou Filártiga.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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