Mensagens de ódio contra Argentina serão punidas por lei
Decreto presidencial de Milei proíbe entrada e autoriza expulsão de estrangeiros
O presidente argentino, Javier Milei, modificou por decreto a Lei de Migrações para proibir o ingresso ou expulsar os estrangeiros que expressem mensagens de ódio contra o país sul-americano, uma medida que ainda deve revisar o Congresso e abre as portas à discricionariedade, segundo especialistas.
A nova normativa publicada na madrugada de quarta-feira prevê a expulsão e o cancelamento de residência para os estrangeiros que incorram em essas condutas.
O Congresso deve avalizar a validade do decreto que está vigente enquanto avança o trâmite legislativo.
"O decreto não é claro e tampouco há certezas de quão aplicável é", afirmou à AFP Lucía Galoppo, advogada da equipe de trabalho internacional do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS).
Segundo o decreto presidencial, as medidas se aplicarão a quem haja "dirigido mensagens de ódio em forma oral ou escrita, ou incitado à violência contra o povo argentino em seu conjunto, ou contra algum cidadão argentino, motivado na nacionalidade deste último".
"Haver realizado ou participado em atos de ultraje de símbolos pátrios nacionais; ou haver incitado a cometer qualquer um dos atos previstos pelo presente inciso", acrescenta.
No entanto, "não especifica o que é um discurso de ódio, como vão detectar, com qual critério e como vão determinar quem são os emissores desses discursos" para aplicar as sanções, apontou Galoppo.
"Tudo isso o torna difícil de aplicar e discricionário porque deixa demasiadas lacunas que o Estado poderia preencher com critérios arbitrários", acrescentou.
Argentina foi historicamente um país aberto à imigração que assegurou igualdade de direitos em saúde, educação e habitação para seus residentes, assim como direitos civis que estão garantidos pela Constituição.
O presidente direitista, que buscará a reeleição nas presidenciais de 2027, resolveu a medida depois de denunciar dias atrás a existência de uma suposta "campanha anti-argentina", da qual não apresentou provas.
Milei afirmou que está financiada pelos governos do Brasil e México e pelo Partido Democrata estadunidense, em aparente referência a críticas que viralizaram em redes sociais à margem da Copa do Mundo de Futebol.
"Milei trata de capitalizá-lo em seu favor em um momento em que as perspectivas econômicas não são boas...", assinalou o cientista político e pesquisador da Universidade de San Martín Iván Schuliaquer.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.