Medicamentos para obesidade reduzem os dias de consumo excessivo de álcool, segundo ensaio
Os detalhes da pesquisa, completada na Dinamarca com 53 mulheres e 55 homens que buscavam tratamento por um transtorno por consumo de álcool de moderado a grave e obesidade comórbida, são publicados na revista The Lancet.
Não é a primeira vez que um estudo analisa a possível validade deste tipo de medicamentos (agonistas do receptor GLP-1) para tratar o vício em substâncias como o álcool, além da nicotina, a maconha, a cocaína e os opioides, bem como prevenir as recaídas.
O transtorno por consumo de álcool representa 5% das mortes anuais em todo o mundo e existe uma necessidade urgente de novas intervenções terapêuticas, lembram os autores em seu artigo.
A semaglutida pertence a uma classe de medicamentos conhecidos como agonistas dos receptores do peptídeo-1 similar ao glucagon (GLP-1). Estudos pré-clínicos e os primeiros em humanos indicam que estes poderiam reduzir o consumo de álcool.
O novo ensaio randomizado e duplo-cego durou 26 semanas e os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: aqueles que receberam semaglutida via subcutânea uma vez por semana e os que receberam placebo. A todos foi oferecida terapia cognitivo-comportamental padrão.
O critério de avaliação principal foi a redução do número de dias de consumo excessivo de álcool avaliada após 26 semanas de intervenção; 88 dos participantes completaram todo o estudo.
No início do ensaio, os pacientes haviam tido uma média de 17 dias de consumo excessivo de álcool nos últimos 30 dias. Após seis meses, aqueles que receberam semaglutida haviam tido uma média de aproximadamente cinco dias de consumo excessivo de álcool -nos 30 dias anteriores-, em comparação com os nove dias do grupo do placebo.
Além disso, no começo do ensaio os participantes haviam consumido uma média de cerca de 2.200 gramas de álcool nos 30 dias anteriores, cifra que se reduziu a cerca de 650 gramas com a administração de semaglutida e a 1.175 gramas com placebo após seis meses.
Os eventos adversos foram transitórios, geralmente efeitos gastrointestinais de leves a moderados, e ocorreram com maior frequência no grupo de semaglutida.
Os autores destacam algumas limitações, entre elas que o estudo é de pequena envergadura e que não houve um acompanhamento após o ensaio para comprovar se o consumo de álcool havia mudado.
No entanto, ressaltam que este tipo de medicamentos mostra efeitos terapêuticos sólidos, de modo que o ensaio sustenta os achados pré-clínicos e clínicos prévios que sugerem que os agonistas do receptor do GLP-1 poderiam constituir um novo alvo terapêutico para o transtorno por consumo de álcool.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.