Terça, 25 de Agosto de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Paraguai

Manifestantes marcham até o Congresso contra projeto que habilita exploração do Parque Médanos do Chaco

25/08/2026 20:00 3 min lectura 17 visualizações

Os manifestantes se congregaram nas imediações da Plaza Uruguaya, onde coletaram assinaturas para acompanhar o pronunciamento que têm previsto entregar ao presidente da Câmara de Deputados, Raúl Latorre, considerando que neste corpo legislativo ressurgiu o projeto que impulsiona a habilitação para exploração e eventual explotação do Parque Nacional Médanos do Chaco em busca de hidrocarbonetos.

Em sua maioria são jovens que marcham de forma pacífica primeiramente pela rua Mariscal Estigarribia e depois Chile. O objetivo é chegar até o Congresso Nacional para apresentar o documento mediante o qual expressam sua rejeição ao projeto de lei que busca modificar os artigos 4 e 6 da Lei 5723/2016.

Os setores mobilizados alertaram que uma modificação da legislação vigente poderia debilitar o nível de proteção jurídica da área protegida e gerar impactos sobre a biodiversidade, o Aquífero Yrenda, a bacia do rio Timane e os direitos territoriais, culturais e humanos dos povos Ayoreo e Guarani Ñandeva, incluídos os grupos em isolamento voluntário.

"Consideramos que uma modificação desta natureza enfraquecerá a máxima proteção jurídica vigente e poria em risco a biodiversidade, o Aquífero Yrenda, a bacia do rio Timane e os direitos territoriais, culturais e humanos dos povos Ayoreo e Guarani Ñandeva, incluídos os grupos em isolamento voluntário", aponta o pronunciamento.

O Parque Nacional Médanos do Chaco compreende cerca de 600.000 hectares de dunas, bosques secos, matos e savanas. A área abriga espécies emblemáticas e ameaçadas, entre elas a onça-pintada, a ema, o tatu-canastra e as únicas populações de guanaco registradas no Paraguai.

Os manifestantes recordaram também que Médanos do Chaco é uma área silvestre protegida sob domínio público e constitui uma zona núcleo da Reserva da Biosfera do Chaco, declarada pela Unesco.

Durante a mobilização também se mencionaram antecedentes jurídicos e institucionais que, segundo os ambientalistas, respaldam a intangibilidade do parque. Entre eles, destacaram o Acordo e Sentença Nº 325/2019 da Corte Suprema de Justiça, que ratificou a proteção da área com base no argumento de que o interesse coletivo prima sobre o benefício particular.

Igualmente, salientaram que durante 2026 o próprio Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades) emitiu pareceres desfavoráveis ao projeto e recordou que o Plano de Manejo do parque proíbe este tipo de atividades.

"Em um contexto de secas extremas e crise climática, por em risco as fontes de água subterrânea e superficial por interesses extrativistas é uma irresponsabilidade histórica", sustentaram.

David Cardozo, da organização Sobrevivência Amigos da Terra Paraguai, questionou que se pretenda desenvolver atividades extrativistas dentro de uma área silvestre protegida.

"O desenvolvimento não pode ser realizado em uma área silvestre protegida. Não estamos em desacordo com o desenvolvimento do país, mas esse desenvolvimento deve ser feito em outros locais, onde realmente se possa realizar esta atividade e não vulnerar uma área silvestre protegida que hoje tem a máxima proteção pelo Sistema Nacional de Áreas Silvestres Protegidas", afirmou.

Os manifestantes insistiram em que o projeto não apenas representa uma ameaça ambiental, mas também um risco para as fontes de água e os territórios indígenas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.