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Internacional

Malvinas, Petróleo e Disrupção Geopolítica

Projeto britânico-israelita para extrair crude em 2028 reaviva disputa secular entre Argentina e Reino Unido

06/09/2026 16:45 3 min lectura 376 visualizações

A exploração petroleira nas águas do Atlântico Sul que circundam as ilhas Malvinas tem sido por décadas uma questão central na disputa entre Argentina e Reino Unido pela soberania do arquipélago, uma controvérsia reavivada por um projeto britânico e israelita para começar a extrair crude em 2028.

O projeto de exploração "offshore" (costa afuera) da petroleira israelita Navitas e da britânica Rockhopper, denominado Sea Lion, foi autorizado pelo Governo local de Malvinas, um território sob ocupação britânica desde 1833 e cuja soberania é reivindicada desde então pela Argentina.

Enquanto Navitas e Rockhopper avançam com passo firme em seu projeto petroleiro, nesta terça-feira advogados ambientalistas e ex-combatentes da guerra de 1982 pelas Malvinas apresentaram uma ação judicial contra essa iniciativa em um tribunal da província argentina de Terra do Fogo, que considera as ilhas parte de seu território.

Situadas a 13.000 quilômetros de Londres e a 464 quilômetros da Argentina continental, as Malvinas vivem da criação de gado ovino, pesca, turismo e atividade econômica relacionada à enorme base militar britânica nesse ponto do Atlântico Sul, estratégico para acessar a Antártida e o Pacífico.

Em 1975, o Reino Unido confirmou estudos geológicos sobre o potencial petroleiro em Malvinas e Argentina comunicou que não reconheceria a exploração e eventual explotação de hidrocarbonetos no arquipélago por parte de um "governo estrangeiro".

"Malvinas tem importância como reservatório petroleiro. De fato, o relatório de 1975 sobre a presença de crude nas ilhas abortou definitivamente as negociações bilaterais que se estavam desenvolvendo naquele momento", disse à EFE Bruno Tondini, professor de Direito Internacional e especialista em assuntos relativos a Malvinas.

Licenças e Sanções

O Executivo insular concedeu em 1996 as primeiras licenças de exploração, com a rejeição da Argentina, que sempre alegou que as permissões concedidas sobre recursos de sua propriedade implicam uma "ação unilateral" contrária às resoluções das Nações Unidas sobre a disputa de soberania.

Rockhopper anunciou em 2010 a descoberta de crude no jazigo Sea Lion, a cerca de 220 quilômetros ao norte de Malvinas, alimentando o "sonho" dos locais – aproximadamente 3.500 habitantes de origem britânica – de se tornar um enclave hidrocarbonífero e viver da renda petroleira.

Em 2013, Argentina desabilitou por 20 anos a Rockhopper para operar no país sul-americano por desenvolver atividades na plataforma continental argentina sem autorização.

Sanção idêntica foi aplicada em 2022 à Navitas, que dois anos antes havia se unido a Sea Lion, o projeto com investimentos previstos de quase 4.000 milhões de dólares para suas duas fases de desenvolvimento e com uma vida produtiva de 30 anos.

No final de 2025, Navitas e Rockhopper anunciaram sua decisão final de investimento em Sea Lion e fixaram como objetivo extrair o primeiro barril em 2028, o que levou Argentina a expressar novamente seu "enérgico" repúdio à iniciativa.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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