Limpio: Viajam em pé até a capital pela falta de ônibus
A cidade de Limpio conta com um dos sistemas de transportes mais precários da área metropolitana e seus cidadãos o sofrem diariamente. Seja no serviço interno, interurbano ou o diferenciado.
Mês a mês as empresas de transporte público recebem do Estado paraguaio um desembolso de entre G. 28.000 milhões e G. 45.000 milhões, o que equivale a USD 4,6 milhões mensais em média e os de Limpio também são beneficiados. Estas cifras não se refletem, porém, no serviço e os passageiros não poupam comentários a respeito.
"Sou limpense e do centro, usuário frequente do transporte público. Além das longas esperas, uma coisa muito incômoda é ter que fazer um longo trajeto até Asunción em pé, já que as paradas de ônibus da zona em geral estão na periferia e já vêm carregados de gente os coletivos. Com sorte um sobe, em hora de pico sobretudo, mas isso sofremos todos, desde adultos maiores, grávidas, etc.", referiu Fabio Gómez, morador do centro de Limpio.
Os montos totalizaram USD 55 milhões em 2025; porém, segundo os registros do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) a isso se adicionou uma "compensação" extraordinária de G. 20.044 milhões paga entre janeiro e outubro desse ano.
Mauricio Maluff, da Organização de Passageiros da Área Metropolitana de Asunción (Opama), referiu sobre o tema que esse dinheiro não se traduz em melhores resultados. Pelo contrário, é um serviço que vem decaindo paulatinamente e há dados conclusivos.
"O tema de fundo neste caso é a falta de unidades para tanta demanda no serviço. Somente em 2014 havia em circulação 2.027 unidades frente às 1.400 atuais, um decréscimo de mais de 30%, enquanto a população da área metropolitana de Asunción (AMA) não desceu, pelo contrário, continua em aumento", indicou Maluff.
Em retrospectiva, em 1984 o 63% das viagens da AMA se faziam em transporte público, em 2021 caiu para 28%, enquanto o uso do veículo particular disparou de 37% para 72%, segundo dados do Viceministério de Transporte.
Outro aspecto que ressaltou Maluff à redação é o tema das soluções sistêmicas, já que as instituições que têm o poder de ordenar o caos existente não trabalham de forma coordenada ou não contam com a estrutura adequada para o efeito.
"Temos três instituições centrais como os municípios, Dinatran e o Viceministério de Transporte. Estes dois últimos dependem diretamente do MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações), o que por si já é desnecessário e os municípios precisam também de mais planejamento", indicou.
Os adultos maiores também se manifestaram à redação como dom Albino Florentín: "As longas esperas ao relento até podem nos adoecer com este clima adverso", reclamou o cidadão.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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