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Política

Líder, facção, partido e República; nessa ordem, por favor

22/06/2026 13:45 3 min lectura 2 visualizações

O problema não é que um presidente preste contas a seu partido. Os partidos são atores institucionais chave e, de fato, não existem democracias liberais sem partidos. Um bom diálogo com os partidos contribui para a estabilidade democrática. Aqui a questão é que se prestem contas primeiro a sua facção e apenas depois à instituição que representa a pluralidade da cidadania. Mas essa reverência presidencial ao chefe político da facção antes que ao Congresso não expressa uma confusão de lealdades. Ao contrário, constata empiricamente onde reside o poder real.

A existência de facções tampouco é o problema. Há muito tempo, James Madison apontou que as facções não deveriam ser eliminadas, mas contidas em seus efeitos. Uma solução foi a arquitetura institucional republicana de freios, contrapesos e controles recíprocos. Precisamente, é nesse âmbito que ocorrem as regressões democráticas contemporâneas. Não se destroem as instituições, mas as esvaziam de conteúdo. As instituições existem e conservam sua forma, mas suas capacidades para controlar as maiorias e garantir a prestação de contas públicas se enfraquecem. Outro exemplo desse esvaziamento institucional é a recente negativa da CSJ de exercer seu papel contramajoritário.

O caso paraguaio é particular, no sentido de que apresenta uma variação em relação ao que Guillermo O'Donnell chamou de democracias delegativas, onde é o presidente que reclama para si uma autoridade que se posiciona acima do controle institucional. Aqui passa algo diferente. O presidente mantém a formalidade de sua investidura, mas desloca a legitimação política de seu mandato a sua facção ou, em última instância, ao líder desta. Não é o caso típico de concentração hiperpresiencial. É, mais bem, uma presidência tutelada e, nesse sentido, é coerente com a realidade.

Outra singularidade é que o próprio Congresso parece aceitar o desplante. E não se trata de uma representação hostil e adversa ao presidente, senão que, pelo contrário, encontra-se dominada pelo mesmo grupo político. O ato de prestar contas, então, deixa de ser um exercício de controle horizontal e se parece mais a um ato de confirmação do poder da facção.

Essa presidência tutelada não é uma surpresa. Era a possibilidade mais lógica, dadas as regras informais de nomeação dos líderes. Mas sua confirmação na prática é uma degradação sistemática mais da autoridade presidencial. Embora a história dos executivos paraguaios não seja precisamente virtuosa, essa situação de subordinação política extrapresidencial é problemática para a institucionalidade e para a ideia da soberania popular.

Em uma República, o presidente governa para a nação e não para seu partido. Se responde primeiro à cidadania e não ao chefe político, mas a realidade aqui é líder, facção, partido. E isso confirma algo que todos sabem, que o poder, em definitiva, encontra-se em outro lugar.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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