Kattya denuncia ante a OEA uma "execução política planejada"
Ex-senadora paraguaia apresenta caso na organização internacional durante assembleia em Panamá
A ex-senadora Kattya González levou ontem seu caso à Organização dos Estados Americanos (OEA), onde denunciou ter sido vítima de uma "execução política planejada" e de uma campanha de "violência institucional" que, segundo sustentou, começou com um "linchamento virtual sistemático" e culminou com sua perda de investidura e a posterior ratificação dessa decisão por parte da Corte Suprema de Justiça (CSJ).
Fez isso em um evento paralelo ao 56º período ordinário da Assembleia Geral da OEA, que se desenvolve no Panamá, onde integrou um painel sobre violência política e digital contra as mulheres.
"Falo-lhes do corpo, da memória imediata e de uma cicatriz viva e inédita na história institucional do meu país", expressou ao iniciar sua intervenção na qual assegurou ter sido submetida a "um laboratório telemático desenhado para distorcer a opinião pública e demolir minha reputação".
A ex-parlamentar afirmou que em 14 de fevereiro de 2024 se consumou "o verdadeiro ultraje à República", ao ser expulsa mediante uma sessão extraordinária que qualificou como um "roubo" perpetrado por "a bancada do cartismo e seus satélites".
"Executaram minha perda de investidura com apenas 23 votos. Vinte e três votos que violaram flagrantemente a própria legalidade do Congresso", sustentou, ao lembrar que uma resolução do Senado exigia uma maioria qualificada de 30 votos para uma medida dessa natureza.
Além disso, qualificou o processo parlamentar como "uma farsa processual vestida de formalidade" e assegurou que seu direito à defesa foi completamente vulnerado.
"Foi uma condenação sumária sem o direito mínimo de ser ouvida sob condições de objetividade. Foi uma farsa processual vestida de formalidade parlamentar", manifestou.
González também interpretou sua destituição como uma retaliação contra seu trabalho fiscalizador.
"A mensagem do poder é brutal: 'Vejam o que acontece com a mais votada da oposição se não se ajoelha diante do pacto de impunidade'", afirmou.
À Corte
A ex-senadora dirigiu ainda suas críticas à Corte Suprema de Justiça, que recentemente rejeitou a ação de inconstitucionalidade apresentada por sua defesa. Segundo apontou, o supremo tribunal se subordinou ao poder político.
"A Corte Suprema emitiu uma sentença infame. Submeteu-se de maneira servil ao poder político, atuando como um braço armado que legitima a arbitrariedade de uma maioria circunstancial", disparou.
Em outro momento, assegurou que a sentença da Corte "lhe entregou um cheque em branco ao autoritarismo", permitindo que uma maioria simples possa remover qualquer legislador incômodo.
"Quiseram nos matar politicamente duas vezes: Primeiro no Senado e depois em uma Corte Suprema ajoelhada", expressou.
Contra Peña
Durante sua exposição, também questionou o presidente Santiago Peña e rejeitou a imagem do Paraguai como uma democracia consolidada.
"Que fácil é chamar-se democrático quando se persegue a oposição, quando se elimina toda voz crítica, enquanto simultaneamente se protege delinquentes processados, se mantém à frente do Juri de Julgamento de Magistrados pessoas com títulos falsos e se ampara o uso de dinheiro público em interesses privados", apontou.
Nesse sentido, advertiu que "o Paraguai atravessa um estado de profunda decomposição e um avanço para o precipício autoritário onde ninguém está seguro".
González interveio no bloco "Vozes e experiências de mulheres políticas", reservado para mulheres que enfrentaram situações de violência política ou digital.
Em 14 de fevereiro de 2024 e em pleno recesso parlamentar, a Câmara de Senadores dispôs a perda de investidura de Kattya González, que era uma das legisladoras da oposição mais votadas do país.
A votação encerrou-se com 23 votos a favor do oficialismo e aliados. Meses antes, o próprio Senado havia aprovado uma resolução exigindo maioria qualificada para esse tipo de medida.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.