Justiça dos EUA prepara acusação contra o ex-dirigente cubano Raúl Castro pelo derrubamento de duas avionetas em 1996
A imputação do irmão do falecido Fidel Castro marca uma escalada na pressão de Washington sobre Cuba em meio à grave crise econômica
O governo dos Estados Unidos se prepara para apresentar acusações contra Raúl Castro pelo derrubamento de duas avionetas há 30 anos, informou a rede CBS, parceira estadunidense da BBC.
A acusação contra o ex-mandatário cubano de 94 anos está pendente da aprovação de um grande júri, revelaram a CBS autoridades estadunidenses familiarizadas com o assunto.
A eventual imputação do irmão do falecido líder Fidel Castro representaria uma forte escalada na pressão de Washington sobre a cúpula de poder de Cuba, em um contexto marcado pela grave crise econômica e energética que se vive na ilha.
A acusação apontaria para a presumida responsabilidade do general Raúl Castro em um incidente ocorrido em fevereiro de 1996, quando aviões MiG-29 cubanos derrubaram duas aeronaves de Hermanos al Rescate, uma organização de exilados de Miami dedicada a localizar balseiros que tentavam chegar aos Estados Unidos, causando a morte de quatro pessoas.
O fato provocou uma tensa crise entre a Cuba dirigida por Fidel Castro e a administração do então presidente estadunidense Bill Clinton.
Um porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA recusou fazer comentários a CBS.
A agência de notícias Reuters, por sua vez, citou uma fonte do Departamento de Justiça ao indicar que a imputação de Raúl Castro poderia ocorrer de forma iminente.
A notícia chega em um momento marcado pelas crescentes pressões de Washington sobre Havana.
Em janeiro, a administração do presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas aos países que exportem petróleo para Cuba, uma medida que cortou o fornecimento de combustível à ilha e contribuiu para agravar a já grave crise energética.
Cuba se encontra em uma situação de escassez extrema, agravada pela perda de apoio do que era seu principal parceiro e protetor, Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças estadunidenses em janeiro.
Trump exigiu reformas profundas em Cuba e chegou a propor a possibilidade de uma "tomada amistosa" do país por parte dos EUA.
Nesta quinta-feira, o governo cubano afirmou estar disposto a examinar uma oferta de ajuda dos Estados Unidos no valor de US$100 milhões, horas depois que o ministro de Energia da ilha, Vicente de la O Levy, dissesse que ficaram sem combustível.
Raúl Castro deixou formalmente a direção do Partido Comunista de Cuba em 2021 em favor do atual presidente Miguel Díaz-Canel.
Porém, especialistas apontam que o irmão menor de Fidel Castro continua sendo a figura mais poderosa do país.
Apesar de sua avançada idade, continua comparecendo a atos públicos como o desfile do passado 1º de maio, que encabeçou junto a Díaz-Canel.
Seu neto, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como "Raulito" ou "El Cangrejo", é visto como um representante próximo do ex-mandatário e como um canal de contato entre Washington e Havana.
CBS News informou que o diretor da CIA, John Ratcliffe, se reuniu nesta quinta-feira com Rodríguez Castro em Havana, após uma primeira visita de funcionários estadunidenses no mês passado.
Segundo um funcionário da CIA citado por CBS News, Ratcliffe transmitiu pessoalmente uma mensagem de Trump na qual afirmava que os EUA estão "preparados para comprometer-se seriamente em assuntos econômicos e de segurança", mas somente se Cuba realiza "mudanças fundamentais".
A mesma fonte acrescentou que Cuba "já não pode ser um refúgio seguro para adversários no hemisfério ocidental".
CBS News recordou que há vários meses a principal promotoria federal de Miami impulsionou uma nova iniciativa destinada a investigar supostos crimes da liderança cubana.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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