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Internacional

Irã apresenta memorando de entendimento com Estados Unidos como resultado da resistência

17/06/2026 04:45 3 min lectura 4 visualizações
Irán presenta el memorando de entendimiento con Estados Unidos como resultado de la resistencia

Posicionamento oficial do Irã

Os dirigentes do Irã tentam apresentar o memorando de entendimento que está sendo gestado com os Estados Unidos não como uma retirada, mas como o resultado da resistência e da vitória.

Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento e figura-chave do Irã nas negociações, afirmou que o país deu um grande passo rumo à vitória final. O presidente Masoud Pezeshkian qualificou o entendimento como potencialmente transformador e apontou que, se aplicado plenamente, poderia resolver muitos dos problemas do Irã e criar um mundo diferente tanto no país quanto no Oriente Médio.

O papel de Qalibaf é significativo porque não se identifica com o setor moderado de Pezeshkian. Seu apoio público sugere que o acordo conta com o respaldo de setores mais poderosos do sistema, inclusive dentro do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

Argumentos de vitória apresentados por Teerã

A cúpula dirigente apresenta o acordo como uma vitória porque, segundo o argumento oficial, Estados Unidos e Israel não alcançaram seus principais objetivos. Não forçaram o Irã à rendição, não derrubaram a República Islâmica, não eliminaram o programa nuclear iraniano por meio de ações militares nem romperam os vínculos do Irã com o Hezbollah.

Ao contrário, o Irã continua à mesa de negociações com o Líbano incluído no marco do acordo, bem como com perspectivas de alívio de sanções.

Oposição interna ao acordo

Esta narrativa oficial enfrenta oposição dentro do Irã. De acordo com relatos, um deputado linha-dura — vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento — descreveu o rascunho do acordo como um documento que transformaria o Irã em uma colônia estadunidense.

Durante meses, as vozes linha-dura no Parlamento, os meios de comunicação afins ao Estado e os comícios noturnos em favor do governo sustentaram que não se pode confiar nos Estados Unidos. Apontam que a diplomacia seguia em curso pouco antes do início da guerra e afirmam que a administração Trump utilizou as negociações como fachada enquanto Israel e Estados Unidos preparavam uma ação militar.

Para estes setores, qualquer acordo com Washington corre o risco de parecer uma política de apaziguamento.

Contexto da negociação

O país acaba de atravessar uma guerra devastadora, sua economia está sob forte pressão e setores da própria base de apoio da República Islâmica denunciam há meses qualquer tipo de acordo com Washington. Há também iranianos tanto dentro quanto fora do país que veem a crise não como um momento para a diplomacia, mas como uma oportunidade para uma mudança de regime.

Entretanto, algumas destas vozes de oposição parecem ter se moderado em tempos recentes. Isto poderia sugerir que a decisão de prosseguir foi autorizada pelas mais altas esferas do Estado, embora não signifique que exista uma unidade total em torno da estratégia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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