Investigações recentes revelam dimensões do consumo de substâncias no Paraguai
Dados quantitativos mostram que quase seis de cada dez adultos consumiram alguma substância psicoativa nos últimos três meses
As adições representam um desafio significativo para a sociedade paraguaia, com efeitos que reverberam nas estruturas familiares, na saúde e no desempenho laboral, especialmente entre os setores mais jovens. Reconhecendo a gravidade desta problemática, o Congresso Nacional declarou de interesse nacional em junho de 2026 os esforços dirigidos à sua prevenção.
Durante anos, a falta de informação precisa limitou uma resposta efetiva. Porém, investigações recentes começam a fechar esta lacuna informativa. Uma pesquisa nacional realizada com mil adultos pela Universidade María Auxiliadora e ICA, ponderada para representar a população do país, fornece dados quantitativos relevantes.
Descobertas principais da pesquisa nacional
Os resultados mostram que quase seis de cada dez adultos consumiram alguma substância psicoativa nos últimos três meses, enquanto cerca de um terço apresenta um risco moderado ou alto segundo o instrumento ASSIST da Organização Mundial da Saúde.
O perfil de consumo inclui múltiplas substâncias. O álcool lidera com uma prevalência de 74%, seguido pelo tabaco com 34% e pelos tranquilizantes com 17%. O cannabis e a cocaína completam o quadro de substâncias estudadas. O notável é que o consumo se naturalizou na vida cotidiana, especialmente no caso dos fármacos, que frequentemente não se percebem como um risco.
Novas formas de adição
Além das substâncias tradicionais, existem padrões emergentes que requerem atenção. O uso problemático do celular e as apostas on-line, que alcançam 12,9% dos adultos, representam adições que nem sempre se reconhecem como tais. Estas práticas se integram na vida produtiva e cotidiana, e vão suplantando progressivamente a interação presencial com o mundo.
Concentração em grupos etários específicos
Os dados se concentram principalmente na população entre 18 e 35 anos, segmento que constitui o bônus demográfico do país e sobre o qual recai grande parte do potencial produtivo futuro. O consumo apresenta padrões desiguais segundo o gênero: em várias substâncias, a prevalência masculina duplica a feminina, com exceção notável do maior consumo de tranquilizantes e sedativos entre as mulheres.
Análise de serviços de saúde
Um estudo publicado em International Review of Psychiatry, realizado por pesquisadores da UMAX, UNA, Ministério da Saúde e universidades do Brasil, Itália e Chile, analisou os padrões de utilização de serviços de saúde em casos de abuso de substâncias. Os resultados revelam que mais de oito de cada dez consultas correspondem a homens, e que o policonsumo constitui o diagnóstico principal.
Este contraste com os dados populacionais é significativo: enquanto o consumo feminino de psicofármacos é elevado nas pesquisas, praticamente não se reflete na demanda de serviços assistenciais.
Tempo transcorrido até a busca por ajuda
Um estudo realizado em Limpio complementa este panorama, evidenciando que muitos pacientes carregam mais de uma década de consumo, principalmente de crack, cocaína e álcool, com consequências como a perda de vínculos sociais, o isolamento e as dificuldades para manter empregos. Em média, transcorrem dez anos entre o início do consumo e o momento em que a pessoa solicita assistência. Este período representa um vazio crítico no qual as políticas públicas preventivas resultam fundamentais.
Orientação para políticas públicas
Estes achados permitem identificar com precisão a magnitude do problema, reconhecer os grupos mais expostos e orientar de maneira mais efetiva os recursos destinados à prevenção e atendimento. O acesso a dados confiáveis constitui o fundamento necessário para o desenvolvimento de estratégias articuladas que respondam à problemática das adições no Paraguai.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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