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Internacional

Imagens de satélite documentam o alcance dos danos em La Guaira após terremotos na Venezuela

03/07/2026 07:45 3 min lectura 5 visualizações
Imágenes satelitales documentan el alcance de los daños en La Guaira tras terremotos en Venezuela

Alcance da devastação documentada por satélite

La Guaira é o estado onde se concentra a maior devastação causada pelos terremotos de 24 de junho na Venezuela. Este estado litorâneo, localizado a 30 quilômetros de Caracas, possui uma população aproximada de 400.000 pessoas e foi declarado área de desastre pelas autoridades competentes.

Um mapa preliminar publicado pela NASA apresenta uma estimativa rápida na qual se destacam os setores de La Guaira com edifícios que têm pelo menos 80% de probabilidade de terem sofrido danos ou estar destruídos. A análise, elaborada com base em imagens do satélite Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia, calcula que é provável que 58.870 edifícios tenham resultado danificados ou destruídos na região afetada.

Para esta avaliação, considera-se "dano" como uma "mudança no estado do edifício" anterior aos terremotos. Os autores do estudo advertem que o mapa constitui um indicador dos danos a partir de "alterações abruptas da superfície compatíveis com danos" e não uma verificação dos danos em cada edifício, já que os dados não foram validados em campo.

Validação em campo dos dados satelitais

Especialistas que estiveram em La Guaira após os terremotos apontam que o mapa é compatível com o que observaram diretamente. Segundo o geólogo Feliciano De Santis, presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos e professor da Universidade Central da Venezuela, "visitando a zona se pode comprovar que não é uma destruição total do estado de La Guaira".

De Santis explica que os focos de dano estão associados a um comportamento defeituoso dos solos do cordão litorâneo que experimentaram degradação sísmica, liquefação e amplificação do sinal sísmico. Entre as zonas mais afetadas destacam-se Tanaguarena, em Caraballeda, e Catia La Mar.

Porém, De Santis adverte sobre limitações do mapa. Aponta que os dados da NASA não diferenciam os danos graves dos danos menores. "Não se pode tratar um dano mínimo na mesma altura que um colapso", explica o especialista.

A liquefação é um fenômeno no qual terrenos arenosos saturados de água perdem sua resistência e rigidez durante um sismo, comportando-se temporariamente como um líquido espesso.

Ferramenta útil para a reconstrução

O mapa publicado pela NASA é considerado uma ferramenta útil para compreender a dimensão do dano em La Guaira e para começar a planejar a reconstrução. Segundo Celia Herrera, diretora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Engenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Andrés Bello, a avaliação rápida do mapa mostra de maneira apropriada "onde é mais provável que haja edifícios afetados".

"Para quem estamos em campo, esse tipo de produto é útil para priorizar inspeção, organizar percursos, orientar recursos em um território que é amplo e que tem umas condições de acessibilidade difícil, como é o corredor litorâneo de La Guaira", indica Herrera.

A especialista adverte, não obstante, que esta ferramenta não substitui o trabalho dos equipes técnicos na zona, capazes de distinguir, por exemplo, entre um dano estrutural e um não estrutural. Herrera participa em inspeções de edificações em Caracas para avaliar se as moradias apresentam danos que requeiram desocupação.

"Se integrarmos esse olhar satelital com a experiência da engenharia venezuelana em campo e o conhecimento refinado da tipologia do solo, o mapa se converte em um instrumento valioso de gestão de risco", conclui a pesquisadora.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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