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Internacional

Vermes marinhos revolucionam transplantes de órgãos com molécula transportadora de oxigênio

Cientista francês Franck Zal recebe Prêmio Inventor Europeu 2026 por inovação baseada em criação sustentável de organismos aquáticos

03/07/2026 05:45 4 min lectura 12 visualizações
Gusanos marinos revolucionan los trasplantes de órganos con molécula transportadora de oxígeno

Inovação marinha para preservação de órgãos

O biólogo marinho francês Franck Zal foi reconhecido como Prêmio Inventor Europeu de 2026 pela Oficina Europeia de Patentes na categoria de pequenas e médias empresas. Sua pesquisa centra-se na criação de vermes marinhos em sua fazenda aquícola localizada em Noiumoutier, França, para extrair uma molécula revolucionária com aplicações na medicina de transplantes.

A empresa Hemarina produz até 30 toneladas anuais de vermes de areia (Arenicola marina), dos quais se extrai a molécula M101. Esta substância, diferentemente da hemoglobina humana, circula livremente na corrente sanguínea e pode transportar grandes quantidades de oxigênio sem provocar vasoconstrição nem limitar o estresse oxidativo.

HEMO2life: o transportador universal de oxigênio

O desenvolvimento de HEMO2life, um transportador de oxigênio universal, foi resultado de anos de pesquisa científica. Para conservar um órgão completo destinado a transplante, são necessários apenas aproximadamente vinte vermes marinhos, o que equivale a um grama do produto final.

O processo começou com uma pergunta fundamental: como respira um verme marinho durante as mudanças de maré. Zal descobriu que esses organismos respiram apenas quando estão sob a água. Durante a maré baixa, permanecem em apneia durante seis horas, razão pela qual precisam de uma grande quantidade de hemoglobina para capturar e armazenar oxigênio.

Compromisso com a sustentabilidade ambiental

Considerando sua formação como biólogo marinho e seu compromisso com a ecologia, Zal decidiu não extrair vermes de seu habitat natural. Em seu lugar, estabeleceu uma fazenda aquícola de 13 hectares onde controla a reprodução de Arenicola marina, uma espécie que perdura há 450 milhões de anos.

Nesta instalação, obtêm as larvas mediante fecundação in vitro, que se desenvolvem em uma piscina de 450 metros quadrados com areia no fundo, onde são criadas durante todo o ano. Este método permite uma produção constante e sustentável sem afetar os ecossistemas naturais.

Resultados clínicos bem-sucedidos

Desde 2016, a molécula M101 foi utilizada em aproximadamente mil transplantes de órgãos, com resultados bem-sucedidos e sem efeitos colaterais observados em ensaios clínicos. O produto funciona fornecendo oxigênio de maneira fisiológica, imitando os mecanismos naturais que o verme marinho desenvolveu durante milhões de anos de evolução.

HEMO2life demonstrou eficácia em transplantes de rosto, coração, fígado e membros. A molécula M101, ao ser extracelular e não possuir grupo sanguíneo, é universal e compatível com qualquer receptor.

Aplicações além dos transplantes

Segundo Zal, as possibilidades terapêuticas desta molécula estendem-se para além dos transplantes de órgãos. Pode ser utilizada em regeneração de tecidos, procedimentos odontológicos, tratamento de doenças periodontais, transfusões de sangue, oftalmologia e oncologia.

O cientista enfatiza que existem numerosas patologias isquêmicas e anêmicas que poderiam se beneficiar do uso desta molécula, abrindo novas perspectivas no tratamento de doenças que requerem otimização do aporte de oxigênio aos tecidos.

Biomimética: aprender da natureza

A abordagem de Zal baseia-se no princípio da biomimética, que consiste em imitar soluções naturais para resolver problemas humanos. A molécula M101 é resultado de milhões de anos de evolução do verme marinho em condições de isquemia e reperfusão, onde o organismo encontrou soluções ótimas para a sobrevivência.

Este reconhecimento europeu valida uma trajetória científica que demonstra como a pesquisa rigorosa, a inovação sustentável e a observação da natureza podem convergir em avanços biomédicos transformadores.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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