Hospital de Trauma: "Trabalhar assim viola o direito à saúde"
Renúncia coletiva de médicos protesta contra falta de insumos e congelamento salarial desde 2012
No Hospital de Trauma apresentaram demissão 37 médicos da área de Anestesiologia, 19 dos 23 neurocirurgiões de plantão e os quatro traumatologistas infantis disponíveis. "É indignante o desprezo que temos. Não há interesse", referiu o doutor Carlos Giménez, neurocirurgião, que qualificou como insustentável a situação.
"Esta determinação sindical, firme e unânime, é adotada diante do total estancamento das negociações no marco da Greve Nacional de Médicos. A falta de uma proposta por escrito, formal e vinculante por parte do Governo Nacional para resolver o postergado reajuste salarial – congelado desde o ano 2012 – nos obriga a tomar esta drástica medida de força", referiram os profissionais médicos na nota de renúncia coletiva apresentada à ministra María Teresa Barán.
Fundamentaram sua decisão na constatação de que o Hospital de Trauma opera sob uma alarmante e constante carência de insumos específicos de alta complexidade e equipamentos neurocirúrgicos de centro cirúrgico. "Trabalhar nestas condições viola o direito à saúde dos pacientes e nos expõe diretamente à criminalização de nossa prática médica por deficiências estruturais do Estado", referiram.
Apontaram a falta de dignificação da especialidade. "A neurocirurgia exige um nível de formação, subespecialização e sacrifício que não é reconhecido nem compensado. A carga de trabalho extenuante e a alta responsabilidade de salvar vidas no principal hospital de emergências do país não se condignem com a precarização salarial a que somos submetidos".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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