Gremios econômicos expressam preocupação com aumento de tarifas na hidrovia
Preocupação do setor naviero
Mario Romero, gerente do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos (CAFyM), expressou a inquietação generalizada do setor diante dos planos de incremento tarifário no trecho Santa Fe-Confluência. Esta rota é fundamental para a frota paraguaia, reconhecida atualmente como a terceira maior do mundo.
A tarifa vigente situa-se em USD 1,30 por tonelada de registro neto. Com a nova concessão aprovada pelas autoridades argentinas, a informação oficial aponta que o custo poderia ascender a USD 3,80. O gerente advertiu sobre um cenário adicional a longo prazo, sinalizando que a expectativa é que isso pudesse alcançar USD 5,78.
Metodologia de cálculo questionada
Um dos reclamos históricos do setor centra-se na metodologia de cobrança. Romero explicou que o pedágio é calculado com base na capacidade total de carga da embarcação e não sobre a mercadoria efetivamente transportada.
O representante ilustrou esta situação detalhando que muitas vezes há embarcações que viajam carregadas em direção ao sul mas retornam vazias, devendo pagar a mesma tarifa. Por este motivo, o Paraguai mantém a solicitação de que o canon seja aplicado exclusivamente sobre o volume real mobilizado e se revise o montante atual.
Impacto no consumidor
Romero assegurou que qualquer aumento nas tarifas repercute automaticamente no custo da mercadoria. O especialista exemplificou que afetaria o combustível ou os reposições, já que estas despesas são carregadas diretamente ao valor final do produto importado.
As consequências destas medidas transcendem as fronteiras do país e configuram um problema regional. As disposições afetam também nações como Bolívia e Brasil, que dependem da hidrovia como canal estratégico de saída para os produtos dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Ao elevarem-se os custos logísticos, os produtos de exportação perdem atratividade e competitividade ante outros mercados internacionais. Diante desta situação, o setor naviero considera necessária a participação do capital privado nos processos de redefinição tarifária. Romero enfatizou que os usuários são os maiores conhecedores dos custos e do impacto que isto gera na economia.
Perspectiva do setor oleaginoso
Raúl Valdez, representante da Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro) e integrante do CAFyM, advertiu que a situação pode impactar tanto os produtos que ingressam e saem do Rio da Prata como o comércio com o oceano Pacífico.
Valdez esclareceu que, embora seja necessário matizar as afirmações sobre duplicação do custo total de exportação, o componente tarifário relacionado com o pedágio sim pode sofrer um incremento que resulta importante em termos monetários. Sublinhou que é fundamental repensar este panorama para determinar que tipo de serviço se recebe em troca do pagamento de uma tarifa e sob qual metodologia se estabelece. O debate central radica na diferenciação técnica entre os distintos tipos de transporte e a proporcionalidade dos custos.
Postura do setor importador
Iván Dumot, presidente do Centro de Importadores do Paraguai (CIP), informou que o gremio solicitou às navieras um relatório detalhado sobre a situação relacionada com o pedágio, com o objetivo de estabelecer uma postura baseada em critérios técnicos.
A hidrovia Paraguai-Paraná tem incidência direta sobre aproximadamente 80% das importações e exportações que realiza o Paraguai. Qualquer mudança estrutural em suas tarifas incidirá em um incremento dos custos logísticos, razão pela qual a situação do pedágio na Argentina é acompanhada de perto pelos distintos gremios econômicos locais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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