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Economia

Custo do pedágio na hidrovia reduzirá competitividade do país, afirmam sindicatos

10/07/2026 16:45 4 min lectura 11 visualizações

Mario Romero, gerente do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos (CAFyM), expressou a inquietação generalizada do sindicato diante dos planos de aumento tarifário no trecho Santa Fe-Confluência. Esta rota é fundamental para a frota paraguaia, reconhecida atualmente como a terceira maior do mundo.

A tarifa vigente situa-se em USD 1,30 por tonelada de registro neto. Porém, com a nova concessão aprovada pelas autoridades argentinas, a informação oficial aponta que o custo subiria para USD 3,80. O gerente alertou sobre um cenário ainda mais complexo a longo prazo, ao indicar que a expectativa é que isso pudesse chegar até USD 5,78.

Cálculo. Um dos reclamos históricos do setor centra-se na metodologia de cobrança. Romero explicou que o pedágio é calculado com base na capacidade total de carga da embarcação e não sobre a mercadoria efetivamente transportada.

O representante do setor ilustrou essa falha estrutural detalhando que muitas vezes há embarcações que vão carregadas para o sul, mas retornam vazias, então mesmo assim devem pagar esse mesmo valor. Por este motivo, o Paraguai mantém a solicitação firme de que a taxa seja aplicada exclusivamente sobre o volume real mobilizado e que se revise o montante atual.

Bolso do cidadão. Romero assegurou que qualquer aumento ou variação repercute automaticamente no custo dessa mercadoria. O especialista exemplificou a situação mencionando produtos de uso diário e afirmou que afetaria o combustível ou a peça de uma moto, já que esses gastos são carregados diretamente ao valor final do produto importado.

As consequências dessas medidas restritivas transcendem nossas fronteiras e configuram um problema regional. As disposições afetam também nações como Bolívia e Brasil, que dependem da hidrovia como canal estratégico de saída para os produtos dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Ao elevarem-se os custos logísticos, os produtos de exportação perdem atratividade e competitividade diante de outros mercados internacionais. Frente a esta conjuntura, o setor de navegação considera imperioso a participação do capital privado nos processos de redefinição tarifária. Romero enfatizou que os usuários são os maiores ou melhores conhecedores dos custos que há e do impacto que isso tem em uma economia.

Tarifas justas. Raúl Valdez, representante da Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro) e integrante do CAFyM, alertou que a situação pode ter um impacto definido tanto para os produtos que entram e saem do Rio da Prata quanto para o comércio com o oceano Pacífico.

Valdez esclareceu que embora seja necessário corrigir a afirmação de que o custo total da exportação pode duplicar-se, o componente tarifário relacionado com o pedágio sim pode sofrer um aumento que resulta importante em termos monetários. Neste contexto, sublinhou que é fundamental repensar todo este panorama para determinar que tipo de serviço em contraprestação se recebe do pagamento de uma tarifa e sob que metodologia de cálculo se estabelece. O ponto central do debate reside na diferenciação técnica entre os distintos tipos de transporte e pediu proporcionalidade.

Iván Dumot, presidente do Centro de Importadores do Paraguai (CIP), informou que o sindicato solicitou às navieras um informe detalhado sobre a situação relacionada com o pedágio, a modo de estabelecer uma postura sob critérios técnicos.

Cabe recordar que a hidrovia Paraguai-Paraná tem uma incidência direta sobre cerca de 80% das importações e exportações que realiza o Paraguai. Qualquer mudança estrutural terminará em um aumento dos custos logísticos, por isso a situação do pedágio na Argentina é acompanhada de perto por parte dos distintos sindicatos econômicos locais.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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