Governo impulsiona modificação do Estatuto Agrário para acelerar titulação de terras
Iniciativa para fortalecer o acesso à propriedade rural
O Poder Executivo impulsiona a modificação do Estatuto Agrário com o objetivo de acelerar a titulação de terras e facilitar o acesso de pequenos produtores ao crédito e a programas de desenvolvimento rural. O projeto foi apresentado perante o Senado durante uma audiência pública com participação de organizações campesinas, representantes de direitos humanos e outros setores vinculados à problemática agrária.
O presidente do Senado, Basilio Núñez, instou as organizações campesinas a participar da análise da proposta e aproximar seus posicionamentos às comissões legislativas. Núñez assinalou que um dos principais problemas que enfrenta o campesinato é a demora na obtenção dos títulos de propriedade, situação que também dificulta o acesso ao financiamento.
Eliminação do requisito de pagamento prévio
O presidente do Indert, Francisco Ruiz Díaz, explicou que uma das principais mudanças propostas consiste em eliminar o pagamento prévio de 3% exigido para retirar o título de propriedade. Segundo o funcionário, esse requisito gera dificuldades para produtores que já têm seus processos prontos mas carecem de recursos para completar o trâmite.
"O camponês deve pagar entre quatro e cinco milhões, em alguns casos até oito milhões", explicou Ruiz Díaz. A falta do título gera um círculo que mantém o produtor em condições limitadas: sem título não pode acessar o crédito, sem crédito não pode capitalizar sua propriedade e, com baixa produtividade, tampouco pode gerar excedentes.
Com a eliminação desse requisito, os produtores poderão retirar seus títulos e utilizá-los como garantia para acessar financiamento. "Aqui o que estamos fazendo é dar uma oportunidade ao camponês: retirar esse requisito, o 3% de pagamento prévio, que retire seu título, vá ao Crédito Agrícola de Habilitação e capitalize sua propriedade", afirmou Ruiz Díaz.
Ampliação de prazos de pagamento
Outra das mudanças contempladas na proposta consiste em ampliar os prazos de pagamento pelas terras adjudicadas. Para os homens, o período passaria de 10 para 20 anos, enquanto para as mulheres aumentaria de 15 para 30 anos. Essa medida busca reduzir as parcelas de pagamento e torná-las mais acessíveis para os produtores.
O titular do Indert destacou ainda o aumento da participação feminina entre os novos titulares de terras. "60% dos títulos que estamos entregando hoje são para mulheres; anteriormente era 28%", indicou Ruiz Díaz.
Reforma integral do setor agrário
Ruiz Díaz insistiu em que a reforma não deve se limitar à entrega de títulos, mas deve estar acompanhada de crédito, infraestrutura, moradias, estradas e acesso a mercados. O funcionário também levantou a necessidade de promover a renovação geracional no campo como parte de uma estratégia integral de desenvolvimento rural.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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