"Ganhei eu e ganhamos todas": a celebração da atriz Thelma Fardín após a ratificação da condenação a Juan Darthés por abuso sexual
A justiça brasileira reiterou pela segunda vez a culpabilidade do cantor e ator argentino-brasileiro no caso de abuso sexual contra a atriz quando ela era menor de idade
"Estou sozinha em minha casa e o que me sai é agradecê-los", disse aos seus seguidores nas redes sociais a atriz argentina Thelma Fardín quando ficou sabendo que a justiça do Brasil reiterou —pela segunda vez— a culpabilidade do cantor Juan Darthés no caso de abuso sexual quando ela ainda era menor de idade.
"Porque se eu ganhei, e se ganhamos todas, é graças a um monte de gente que, de perto, de longe, me sustentou".
Esta era a segunda apelação que o ator e cantor argentino-brasileiro apresentava contra a sentença que o declarou culpável do delito de acesso carnal em 2024 e o condenou a seis anos de prisão.
Darthés foi acusado de abusar sexualmente de Fardín em 2009, quando ela tinha 16 anos e ele 45, e ambos estavam em turnê promocional do programa infantil argentino Patito Feo.
A denúncia contra o ator e músico foi apresentada inicialmente na Nicarágua —local onde ocorreram os fatos—, mas depois foi transferida para o Brasil quando Darthés, nacional brasileiro, fugiu para seu país para evitar trâmites de extradição.
"A sentença ratifica que os fatos já foram comprovados e que não corresponde voltar a discuti-los nesta instância", afirmou Anistia Internacional em uma publicação em sua conta de Instagram para a Argentina.
"É um avanço importante em um processo histórico e uma mensagem clara: a violência sexual contra meninas e adolescentes deve ser investigada e sancionada".
A nova sentença deixa Darthés com poucas opções, já que possui apenas uma última instância que, para os especialistas, tem baixas probabilidades de funcionar.
O vídeo no qual Thelma Fardín relatava os fatos traumáticos aos quais foi submetida em 2009 marcou para muitos o início de um movimento na Argentina similar ao #MeToo que ocorreu nos EE.UU. com o caso de Harvey Weinstein.
"Ele se subiu em cima de mim e me penetrou", contou a atriz no vídeo divulgado durante a coletiva de imprensa de um coletivo de atrizes em 2018.
"Me agarrou pela mão e me disse: 'Olha como você me deixa', me fazendo sentir sua ereção. Eu continuava dizendo que não. Me jogou na cama, puxou meu short e começou a fazer sexo oral".
Essa frase terminou se convertendo no lema das mulheres que fizeram denúncias durante esse momento: "Olha como você nos deixa".
A de Fardín não foi a primeira nem a última denúncia contra Darthés e a atriz reconheceu os outros casos como parte "fundamental" para que ela pudesse alçar a voz.
"Graças a que alguém falou, eu hoje posso falar. E quando o disse, me encontrei cercada de pessoas que estavam dispostas a me acompanhar, a me cuidar, e sobretudo a me dar muito amor", afirmou.
Darthés fez uma polêmica aparição na televisão na época, desmentindo a versão de Fardín, referindo-se a ela como "uma loucura".
"Meus filhos tinham a mesma idade que ela. Meu Deus! Como posso fazer uma coisa assim?", alegou na entrevista.
A busca por justiça de Thelma Fardín foi longa e difícil: teve que apresentar inicialmente a denúncia em Manágua —local onde ocorreu o crime— e quando finalmente a Interpol emitiu uma circular de captura para a prisão de Darthés, ele viajou para o Brasil, onde estava protegido de extradição.
No Brasil, Darthés foi inicialmente absolvido, depois que o juiz considerou que não havia evidência suficiente para provar uma "penetração", conforme conceituado na legislação do país.
Mas em 2024, a justiça brasileira modificou a decisão e terminou condenando-o a 6 anos de prisão.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.