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Freddie Mercury, oitenta anos de uma história que começou em Zanzibar

05/09/2026 22:45 3 min lectura 359 visualizações

Seu certificado de naturalização britânico, conservado pelos Arquivos Nacionais do Reino Unido, não deixa dúvidas sobre a origem: Farrokh Bulsara nasceu em 5 de setembro de 1946 em Stone Town, capital do Sultanato de Zanzibar.

A web oficial de Mercury precisa que ele veio ao mundo no Government Hospital da ilha, então sob domínio britânico.

Os Bulsara eram parsis, descendentes da comunidade zoroástrica que emigrou da Pérsia para a Índia séculos atrás e cujos membros começaram a se estabelecer por volta de 1845 em Zanzibar.

Embora pequenos em número, os parsis deixaram marca na África Oriental como importantes comerciantes e profissionais (advogados, médicos, contadores). Bomi Bulsara, pai de Mercury, trabalhava como tesoureiro para a administração colonial britânica.

Farrokh nasceu assim em um grande cruzamento cultural do Índico. Não é à toa que a Unesco descreve Stone Town como "uma cidade comercial suaíli onde durante mais de um milênio se fundiram elementos africanos, árabes, indianos e europeus".

Esse foi o primeiro cenário que viu quem décadas depois se tornaria uma das figuras mais universais do rock, embora boa parte de sua infância tenha transcorrido longe da África.

Mercury foi estudar com oito anos na Índia, na escola St. Peter's em Panchgani (oeste), e retornou a Zanzibar aos dezesseis, após completar seus estudos, antes de que a história da ilha mudasse de forma abrupta.

Revolução de Zanzibar

Zanzibar obteve a independência do Reino Unido em dezembro de 1963 e apenas um mês depois, em 12 de janeiro de 1964, uma revolução derrubou o sultão Jamshid de Zanzibar. A violência afetou especialmente a população árabe e também impulsionou numerosos residentes de origem asiática a abandonarem o arquipélago.

Os registros dos Arquivos Nacionais britânicos situam já em 1964 Farrokh na localidade inglesa de Feltham (hoje parte de Londres), para onde sua família fugiu.

Tinha 17 anos. Atrás ficava Zanzibar; à frente, Londres, os estudos de arte e design gráfico, a mudança de nome e, logo depois, Queen.

Mas oito décadas após seu nascimento, a ilha conserva o início daquela história.

Na rua central de Kenyatta Road, em Stone Town, funciona desde 2019 o Freddie Mercury Museum, instalado em uma residência onde a família Bulsara morou e convertido em 'santuário' de peregrinação dos devotos de Queen que visitam a ilha.

É o primeiro museu dedicado integralmente ao cantor e mantém uma colaboração oficial com Queen Productions, entidade de gestão corporativa e arrecadação de direitos autorais da banda, que cedeu fotografias.

O museu, pequeno mas muito visual e colorido, reconstrói essa origem com fotografias familiares de Farrokh Bulsara e imagens de sua infância em Zanzibar.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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