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Internacional

"Fizeram conosco o que quiseram porque somos pobres": o povo do Peru a quem o Vaticano pediu perdão de joelhos pelo despojo de terras atribuído ao Sodalício

Representantes da Igreja Católica pediram desculpas às comunidades campesinas herdeiras do povo indígena Tallán após anos de denúncias contra a agrupação religiosa ultraconservadora

10/06/2026 10:45 3 min lectura 34 visualizações
"Han hecho lo que han querido con nosotros porque somos pobres": el pueblo de Perú al que el Vaticano pidió perdón de rodillas por el despojo de tierras atribuido al Sodalicio

De joelhos. Com este gesto inusual, representantes da Igreja Católica pediram perdão no sábado 23 de maio às comunidades campesinas herdeiras do povo indígena Tallán no Peru.

Durante anos denunciaram o despojo de suas terras e a perseguição por parte de empresas ligadas ao Sodalício de Vida Cristiana, a agrupação religiosa ultraconservadora fundada em 1971 por Fernando Figari e que foi dissolvida por ordem do papa Francisco em abril de 2025.

A decisão do falecido pontífice ocorreu após a investigação das denúncias por abusos sexuais e corrupção que enfrentava o Sodalício no país sul-americano.

"Estamos aqui para pedir-lhes perdão em nome da Igreja. Chegamos tarde, deveríamos ter chegado há 20 anos, e sentimos muito", disse na missa celebrada na cidade de Catacaos, noroeste do Peru, monsenhor Jordi Bertomeu, enviado especial do Vaticano para a fase de dissolução da agrupação sodalícia no Peru.

Em conversa com a BBC Mundo, Bertomeu assegurou que foi um momento emocionante em que sentiu um peso histórico sobre seus ombros.

"Comovia estar junto a uma representação das autoridades eclesiásticas do Peru de joelhos diante daquela gente tão pobre, que nunca tiveram o apoio institucional de ninguém", afirmou.

"Senti pena por ter chegado vinte anos tarde e sobretudo vergonha pelo que pessoas da Igreja às vezes fizeram e não quiseram assumir... O Sodalício foi uma estrutura abusiva que Francisco dissolveu pelo bem das vítimas. León XIV quer que aprendamos do erro, porque isso não pode se repetir", acrescentou.

Segurando flores brancas, membros da comunidade San Juan Bautista de Catacaos presenciaram o gesto que qualificaram como um ato de justiça.

"São anjos enviados por Deus para ouvir as vozes de nossos comuneiros, que pedimos a gritos ajuda e justiça", afirmou Percy Maza, comuneiro que denuncia ter sido perseguido e criminalizado por defender sua terra.

"Fizeram conosco o que quiseram porque somos pobres, somos do campo, não conhecemos as leis", disse Paula Sandoval, de 58 anos e mãe de Percy Maza.

"Que os padrinhos, de tão longe, tenham vindo pedir perdão a nós nos comoveu. Graças a Deus chegou a justiça divina", acrescentou à BBC Mundo.

Comuneiros, advogados e jornalistas que investigaram o caso explicam à BBC Mundo que o presumido despojo das terras da comunidade San Juan Bautista de Catacaos remonta a 1998.

Seus direitos territoriais, segundo reivindicam seus membros, derivam de reconhecimentos comunais da época do Vice-Reino do Peru e até pré-coloniais.

Eles alegam que os prédios lhes pertenciam coletivamente como herdeiros dos Tallán, considerado um dos povos originários mais antigos do norte do Peru.

Por não terem títulos de propriedade individuais, em 18 de dezembro de 1998 foi inscrita nos registros públicos uma transferência presumivelmente fraudulenta desses territórios.

Os comuneiros denunciaram que, mediante uma suposta assembleia, a comunidade teria decidido transferir quase 10.000 hectares de suas terras a favor de 100 comuneiros.

O interessante, dizem, é que os próprios camponeses desconheciam a realização dessa assembleia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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