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Internacional

Faleceu Emma Bonino, referência do feminismo e da integração europeia

12/09/2026 16:30 3 min lectura 319 visualizações

Uma trajetória política dedicada aos direitos

Emma Bonino conquistou o respeito de distintos setores da esfera política italiana e europeia. O movimento Mais Europa, fundado por ela, expressou que com seu falecimento se perde uma das figuras mais lúcidas, corajosas e livres da história política da Itália.

Bonino foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2015. Em 2023 havia se recuperado, embora posteriormente fosse hospitalizada por complicações respiratórias. Durante sua recuperação em casa recebeu uma visita do papa Francisco, com quem compartilhava preocupações a respeito dos direitos dos migrantes e mantinha uma relação de mútua estima.

Em uma entrevista realizada em fevereiro de 2025, Bonino expressou que seu corpo lhe falhava após tê-lo utilizado como instrumento político durante décadas.

Reconhecimento transversal

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, lhe rendeu homenagem reconhecendo que, embora suas trajetórias e visões fossem diferentes, isso nunca lhe impediu valorizar a importância e o papel de Bonino na vida pública. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, também expressou seu reconhecimento assinalando que a Europa pela qual lutou sentirá sua falta.

Os primeiros passos de uma paixão política

Nascida em 1948 em Bra, uma pequena localidade do noroeste da Itália, Bonino cursou estudos em línguas e literatura estrangeiras na universidade Bocconi de Milão. Sua vinculação com a política começou no Partido Radical, motivada por uma experiência pessoal que marcou profundamente seu compromisso.

Aos 27 anos, quando acreditava ser estéril, engravidou e decidiu interromper a gravidez. Bonino descreveu posteriormente esse momento como humilhante, já que o aborto era ilegal, difícil, custoso e estigmatizador na Itália naquela época. Essa vivência a impulsionou a se comprometer publicamente: "nunca mais, para ninguém".

Pioneira na luta pelos direitos das mulheres

Bonino se vinculou então com Adele Faccio, ativista de direitos das mulheres e integrante do Partido Radical. Juntas trabalharam na campanha pela legalização do aborto. Em 1975 fundou o Centro de Informação, Esterilização e Aborto (CISA) e posteriormente se candidatou às eleições legislativas, sendo eleita deputada do Partido Radical em 1976.

Quando a Itália legalizou o aborto em 1978, Bonino já expandia seu ativismo para outros temas, incluindo a liberalização de drogas leves, o abandono da energia nuclear, programas de distribuição controlada de heroína, a abolição da pena de morte e a luta contra a fome mundial.

Carreira em instituições europeias e italianas

Eleita várias vezes ao Parlamento Europeu, Bonino atuou como Comissária Europeia de Proteção do Consumidor entre 1994 e 1999. Na Itália ocupou cargos como ministra de Comércio Internacional e Políticas Europeias de 2006 a 2008, senadora em 2008 e chanceler de 2013 a 2014.

O movimento Mais Europa

Em 2018, Bonino retomou a atividade política de campanha à frente do movimento Mais Europa, focado na defesa de direitos dos migrantes e integração da União Europeia. Naquela ocasião, o movimento contava com posições favoráveis em pesquisas, alcançando 43% de intenção de voto, apenas abaixo do então primeiro-ministro Paolo Gentiloni.

Embora utilizasse o lema "Ame-me menos, Vote em mim mais", o partido não conseguiu superar o limite de 3% de votos necessários para obter representação no parlamento.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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