Executivo da MBRF considera que Brasil terá papel de maior protagonismo nos Estados Unidos
O mercado global de carne bovina atravessa um momento de reconfiguração e Brasil poderia assumir um papel ainda mais dominante nos Estados Unidos uma vez que ficar fora de cota na China, afirmou Alisson Navarro, executivo da MBRF, em declarações realizadas à Valor Agro durante a cobertura especial da feira SIAL China, um dos principais eventos de alimentos do mundo.
Navarro explicou que atualmente grande parte da atenção do mercado está focada na duração da cota brasileira para ingressar carne na China e como isso pode modificar o fluxo global do comércio. "Houve muita especulação pela cota do Brasil", apontou o executivo, indicando que muitos clientes consultavam até quando Brasil poderia continuar produzindo e exportando para o gigante asiático.
Segundo detalhou, Brasil continuará produzindo para China até o final de junho e exportando inclusive durante os primeiros quinze dias de julho. Posteriormente, as grandes companhias começarão a redefinir estratégias comerciais e redistribuirão produção para outros mercados. "Depois da cota vamos produzir em nossa plataforma da Argentina e Uruguai", comentou Navarro.
Um dos aspectos mais relevantes para o Paraguai é justamente o possível reposicionamento do Brasil nos Estados Unidos. Navarro estimou que, durante o período em que Brasil ficar fora do mercado chinês, o país vizinho poderia colocar entre 50 mil e 60 mil toneladas mensais nos Estados Unidos, superando inclusive a Austrália como fornecedor.
Esse cenário representa um dado essencial para o Paraguai, considerando que Brasil compete diretamente em mercados estratégicos como Estados Unidos, Chile e Israel, além de influenciar a dinâmica regional de preços e o próprio mercado interno do Mercosul.
A maior presença brasileira nos Estados Unidos poderia gerar pressão comercial em um mercado que hoje resulta fundamental para os países exportadores sul-americanos.
Nesse contexto, Navarro reconheceu que a saída temporária do Brasil da China poderia impactar o valor do gado. "O preço do gado vai sofrer uma depreciação, porque os outros mercados têm um preço mais baixo que o da China", afirmou.
Sobre o comportamento atual dos valores internacionais, o executivo da MBRF apontou que o mercado permanece firme, embora com ajustes em relação aos máximos recentes. Indicou que o boi em pé se comercializa atualmente entre US$ 6.700 e US$ 7.000 por tonelada, em meio a um cenário de maior cautela e especulação comercial.
A situação também gera repercussões em outros destinos relevantes. Na própria cobertura realizada na SIAL China, Rafael Tardáguila explicou que os Estados Unidos já antecipam uma maior presença de carne brasileira uma vez que Brasil ficar fora de cota na China, enquanto a Europa também mostra correções para baixo nos valores de importação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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