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Internacional

EUA pressiona o exército cubano com foco em seu poder político e econômico

20/05/2026 08:01 3 min lectura 288 visualizações
EEUU presiona al ejército cubano con el foco puesto en su poder político y económico

Até o momento, sete das 12 pessoas sancionadas pela Ordem Executiva de 1º de maio são militares (entre eles, vários generais) e quatro das cinco entidades afetadas pertencem organicamente ao exército cubano ou são dirigidas por uniformizados.

Não parece ser uma coincidência. Essas sanções de Washington — que se prevê que não sejam as últimas — vêm sublinhar que as Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba são muito mais que um exército, como concordam em apontar os especialistas.

De um lado está seu poder político, tanto no abstrato quanto no concreto. As FAR, formadas a partir do exército rebelde que propiciou o triunfo da revolução em 1959, têm sido desde seus primórdios uma fonte de legitimidade e capital político, ainda que este se tenha erosionado com o passar dos anos e das crises.

Sua primeira figura é o ex-presidente Raúl Castro, que foi ministro das FAR durante quase meio século, entre 1959 e 2008. Apesar de ter abandonado na década passada todos seus cargos no Governo da ilha e no Partido Comunista de Cuba (PCC, único legal), mantém-se aos seus 94 anos como general de Exército.

Sua figura, a qual ultimamente os meios oficiais denominam "líder à frente da revolução", continua sendo essencial no jogo político cubano. Daí seu papel — e o de seu neto Raúl Guillermo Rodríguez Castro, "Raulito" — nos recentes contatos com os EUA.

Por isso teria profundas repercussões políticas uma possível acusação formal contra ele nos EUA, como tem sido avançado em vários meios norte-americanos, em relação ao incidente de 1996 no qual Cuba derrubou duas avionetas da organização cubano-americana "Irmãos ao Resgate".

Além de Raúl Castro, os militares cubanos têm uma presença estratégica transversal nos principais círculos políticos: dos 13 membros do birô político do PCC — o núcleo do poder —, quatro são generais; e no Conselho de Ministros são cinco os uniformizados.

Além disso, entre os novos sete militares sancionados pelos EUA, cinco são também deputados na Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP, parlamento unicameral) e cinco pertencem ao seleto centenar de pessoas que integram o Comitê Central do PCC.

Depois está o poder econômico das FAR, que vem a ser o mesmo que dizer Gaesa. O conglomerado empresarial dos militares, que se estima que controla pelo menos 40% do produto interno bruto (PIB) cubano, possui um vasto portfólio de áreas de negócio que toca quase todos os aspectos da vida da ilha.

Gaesa é dona de todos os hotéis da ilha e controla o monopólio das telecomunicações Etecsa (Empresa de Telecomunicações de Cuba SA) e a Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel (ZDEM). Além disso, está a cargo das lojas de varejo em divisas, das agências de viagens, dos postos de gasolina, das alfândegas e dos marinas, além de ter interesses no setor imobiliário, de transportes, financeiro e logístico.

O que começou em 1995 como uma fórmula para financiar o exército em plena crise do Período Especial converteu-se em um gigante, em grande medida pela pessoa que foi seu presidente executivo durante quase três décadas e até sua morte.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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