Etan Patz: o desfecho trágico do caso que se tornou símbolo das crianças desaparecidas nos Estados Unidos
O rosto de Etan Patz sorrindo e cercado por seus cabelos lisos obcecou os americanos na década de 1980.
Isso ocorreu porque ele foi um dos primeiros meninos desaparecidos cuja foto foi colocada em caixas de leite, numa abordagem que era inovadora naquele momento para dar conhecimento nacional a casos desse tipo.
Etan foi talvez o rosto que ajudou a impulsionar o movimento nacional para alertar sobre jovens desaparecidos.
Seu caso comoveu milhões de americanos pelas circunstâncias em que os fatos ocorreram.
Pela primeira vez seus pais permitiram ao menino de 6 anos ir sozinho até a parada para ser apanhado pelo ônibus escolar.
Ocorreu em 1979, no bairro de Soho em Nova York, quando a região era habitada por pessoas da classe média-baixa.
Etan Patz nunca entrou no ônibus amarelo. Ninguém o viu. Nunca mais voltou para casa.
Quase 5 décadas após o desaparecimento, seus pais —Julie e Stanley Patz— vivem o desfecho do capítulo mais terrível de suas vidas.
Nesta segunda-feira, a Suprema Corte dos EUA restabeleceu a condenação por assassinato ditada em 2017 contra um homem pelo desaparecimento de Etan.
Em uma decisão de 6 votos a favor e 3 contra, os magistrados atenderam ao pedido do promotor de distrito de Manhattan, Alvin Bragg, para revogar a decisão de um tribunal inferior que havia anulado o veredito do júri segundo o qual Pedro Hernández —um ex-funcionário de uma delicatessen local— havia sequestrado e assassinado Patz.
Hernández, do bairro Maple Shade, em Nova Jersey, confessou em maio de 2012 que havia matado o menino.
Em fevereiro de 2017, depois de deliberar durante nove dias, um júri o declarou culpado e o condenou a um mínimo de 25 anos de prisão.
Os advogados de defesa de Hernández asseguraram então que ele era um homem com transtornos psicológicos e que não conseguia diferenciar a realidade da fantasia.
A filha de Hernández declarou que seu pai uma vez falou sobre ter visões de anjos e demônios.
Os promotores, por sua vez, sugeriram que Hernández simulou ou exagerou os sintomas de sua suposta doença mental.
Quando foi preso em 2012, Hernández disse à polícia que enganou o menino oferecendo-lhe uma bebida com o objetivo de enforcá-lo até matá-lo no porão de um armazém onde trabalhava, muito perto da parada de ônibus.
Em seguida —assegurou— colocou seu corpo em uma bolsa e o deixou em um beco cheio de detritos.
O Tribunal de Apelações do Segundo Circuito, com sede em Manhattan, anulou a condenação de Hernández em 2025, determinando que o juiz de primeira instância havia instruído incorretamente o júri e, portanto, havia influenciado o veredito contra o acusado.
Nesta segunda-feira, a Suprema Corte determinou que a atuação do Segundo Circuito violou uma lei federal de 1996 que limita o poder dos tribunais federais para conceder habeas corpus a presos condenados em tribunais estaduais.
No início de 2012, uma nova pista havia reativado o caso. A polícia passou vários dias quebrando o piso de concreto de um porão perto da parada de ônibus para a qual Etan se dirigia na manhã de seu desaparecimento. Seu corpo não foi encontrado.
No entanto, essa operação amplamente coberta pela mídia fez com que alguém ligasse para o departamento de crianças desaparecidas da polícia de Nova York.
A chamada levou as autoridades até Hernández, que confessou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.