Estudantes desenvolvem bots de IA para aprender Matemática e Física em guarani
Projeto GuaranIA realiza hackathon em Ciudad del Este com soluções tecnológicas educacionais
Inovação educativa em guarani jopara
Estudantes do Colégio do Centro Regional de Educação Dr. José Gaspar Rodríguez de Francia, CRECE, do Departamento de Alto Paraná, desenvolveram ferramentas de inteligência artificial para facilitar o aprendizado de Matemática e Física em guarani jopara. Os jovens se consagraram vencedores do Hackathon "Kyhyje'y IA", realizado em Ciudad del Este no marco do Projeto GuaranIA.
O desafio reuniu 14 equipes e 64 estudantes de instituições educativas de Alto Paraná e Caaguazú, que trabalharam durante três jornadas no desenvolvimento de soluções tecnológicas orientadas à educação. Os dois equipes vencedoras pertencem ao Bacharelado Técnico em Informática do Colégio CRECE.
Projetos vencedores
Na categoria de Matemática, a equipe TEKO Labs obteve o primeiro lugar com uma proposta baseada em um bot capaz de explicar conteúdos, fornecer exemplos e acompanhar o estudante durante o processo de aprendizado. A ferramenta permite que o aluno interaja com a tecnologia utilizando o guarani jopara como parte central da experiência.
Em Física, o Grupo Kyrey-Devs desenvolveu uma solução destinada à prática mediante exercícios relacionados com situações cotidianas. A proposta busca aproximar os conteúdos da matéria a experiências concretas e facilitar sua compreensão mediante ferramentas de inteligência artificial.
Identificação de necessidades educativas
O nome do desafio, Kyhyje'y, significa "sem medo" em guarani e responde a uma problemática detectada pelo Projeto GuaranIA. Um diagnóstico realizado em 2025 com 1.178 estudantes de bacharelado identificou Matemática e Física entre as matérias consideradas mais difíceis. Entre as dificuldades mencionadas apareceram o medo de errar e a confusão entre idiomas no momento de explicar os conteúdos.
Por esta razão, o desafio não se limitou a traduzir materiais do castelhano ao guarani. Os participantes deveram utilizar a inteligência artificial generativa para criar ferramentas pedagógicas, como tutores conversacionais, geradores de exercícios e sistemas capazes de acompanhar ou corrigir procedimentos passo a passo.
Trabalho colaborativo e multidisciplinar
Durante o processo, os jovens assumiram diferentes funções relacionadas com programação, design, experiência de usuário, conteúdos pedagógicos e linguística. Contaram com mentores vinculados à área informática, enquanto docentes de Matemática e Física participaram na validação dos conteúdos.
As propostas foram avaliadas sobre 100 pontos por um júri multidisciplinar, que considerou a função pedagógica, o uso de IA generativa, a precisão dos conteúdos, a integração do guarani jopara, a funcionalidade, o design, a experiência de usuário e a capacidade de trabalho dos equipes. Também se outorgaram menções especiais ao "melhor uso pedagógico do guarani" e ao "maior potencial de continuidade".
Próximos passos
Os projetos vencedores terão a possibilidade de continuar seu desenvolvimento junto à equipe de pesquisa do Projeto GuaranIA, com a intenção de convertê-los em ferramentas piloto para serem utilizadas em salas de aula.
Os estudantes participaram previamente em uma etapa em que geraram dados sintéticos, isto é, materiais digitais em guarani destinados a treinar ou avaliar modelos de inteligência artificial. Com o hackathon, o próximo passo foi transformar esse conhecimento e esses dados em ferramentas concretas de aprendizado.
O projeto contempla posteriormente probar as soluções em aulas e analisar seu impacto no aprendizado de Matemática e Física mediante o uso do guarani jopara. A iniciativa conta com uma resposta favorável da comunidade educativa, já que em laboratórios realizados durante 2026, o 97,1% dos estudantes respondeu positivamente às ferramentas desenvolvidas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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