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Economia

Especialistas alertam que aumentar déficit pode elevar dívidas e até inflação

Governo transparenta situação fiscal, mas risco para economia é real

10/08/2026 20:00 4 min lectura 30 visualizações

Os especialistas Martha Coronel, Rodrigo Ibarrola e Luis Rojas também qualificaram como positivo que o Governo tenha transparentado o déficit estatal, estabelecendo um novo plano de convergência fiscal.

Não obstante, concordam que um déficit maior sempre pode gerar riscos para a economia, especialmente em matéria de dívidas e inclusive sobre os preços em geral.

A respeito, Coronel — da Consultora Mentu — , ainda que considere que um maior déficit não necessariamente terá um efeito imediato sobre os preços ou a inflação, adverte que a flexibilização sim pode traduzir-se em mais dívidas.

Isso, segundo afirmou, teria dois efeitos diretos. Primeiro, se o Estado recorre a uma emissão de bônus, e o faz no mercado local, competiria pelos recursos disponíveis para financiamento com empresas privadas e cidadãos, o que poderia fazer com que as taxas dos empréstimos privados baixem mais lentamente.

Em segundo lugar, implicaria maiores juros que terão que ser pagos nos períodos seguintes, reduzindo o espaço fiscal do Governo no futuro, em vez de destinar-se a novas inversões, tanto em infraestrutura como em áreas sociais e de capital humano.

Apontou como desafios principais melhorar a arrecadação sem necessariamente aumentar os impostos, mediante a formalização e eficiência tributária, além de reduzir os gastos desnecessários e melhorar a qualidade do gasto.

Também propôs que a regra fiscal não se concentre unicamente em estabelecer um limite ao déficit, mas incorporar regras sobre quanto podem crescer os ingressos e quanto pode aumentar o gasto em função desses ingressos.

Então, o Estado estaria obrigado a arrecadar mais para poder gastar mais ou de outro modo terá que apertar os cintos para não continuar sempre ultrapassando o limite que se impõe por lei

Para Martha Coronel, deve-se flexibilizar apenas em um nível alto em situações excepcionais ou de choque, mas não conceder um aumento permanente sem exigências adicionais sobre ingressos e gastos, já que isso poderia gerar um círculo de endividamento constante que se trasladaria às gerações futuras.

Pressão nos preços. Por sua vez, Rodrigo Ibarrola, ainda que afirme que nem todo déficit pode significar uma maior inflação, sim pode causar uma grande expansão do gasto, o que finalmente pode pressionar sobre os preços, sobretudo se a economia está perto do pleno emprego; isto é, se há pouca capacidade ociosa. Enquanto isso, o efeito depende novamente de fatores, como a política monetária, o tipo de câmbio e a forma em que se financia esse déficit.

O especialista do Cadep também ressalta que um déficit alto e persistente pode tornar-se um problema quando cresce mais rapidamente que a capacidade de pagamento do Estado ou quando se utiliza para financiar gastos correntes que não geram melhorias na produtividade.

Concorda que o principal problema reside em que se gera mais dívida, mais juros, e portanto menos recursos disponíveis.

Um corte abrupto do gasto pode ter efeitos negativos, sobretudo se o gasto é para medicamentos, manter serviços de saúde, ou infraestrutura

Recorda, sem embargo, que os superávits fiscais são pouco habituais e que os programas de austeridade nem sempre tiveram bons resultados a nível internacional. Inclusive, assinala que o FMI propõe continuar com a consolidação fiscal, mas evitar uma redução excessiva do gasto social.

Para Ibarrola, o debate deveria centrar-se em qual é o nível de déficit compatível com a prestação adequada dos serviços públicos, o investimento necessário e uma dívida sustentável.

Nesse contexto, considera que cada vez resulta mais difícil sustentar o atual limite de 1,5% do PIB.

Aumentar ingressos. Para o pesquisador Luis Rojas, a modificação do déficit não mudará de forma importante a política econômica do Governo, mas sim marcará a disposição de realizar ajustes quando for necessário.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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