Especialista sustenta que subsídios elétricos devem ser aprovados por lei
Debate sobre tarifas preferenciais para projetos industriais gera análise sobre finanças da ANDE
Debate sobre tarifas elétricas preferenciais
A discussão atual a respeito das tarifas elétricas preferenciais para projetos industriais tem gerado uma análise profunda sobre as finanças da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e o marco regulatório paraguaio. Fabián Cáceres, engenheiro e ex-gerente técnico da instituição, sustenta que a estatal não é uma entidade de fomento e que qualquer concessão de energia abaixo do custo a empresas privadas deve ser submetida à avaliação do Congresso Nacional.
Durante uma entrevista, Cáceres expressou que não deveria permitir-se pressionar a ANDE para que estabeleça tarifas políticas ou subsidiadas mediante decretos, fazendo referência às solicitações recentes de setores governamentais e agremiações empresariais.
A missão institucional da ANDE
Para o especialista, o inconveniente central reside no desconhecimento da Carta Orgânica da entidade elétrica.
Em primeiro lugar, a ANDE não é uma empresa de fomento à indústria. A lei da empresa estatal estabelece especificamente qual é sua missão, que é prover o serviço elétrico a todo o país. E com umas tarifas que têm que cobrir todos seus custos e que tem que ter uma rentabilidade entre 8 e 10 por cento
O ex-gerente advertiu que obrigar a administração a assinar acordos com tarifas que rondam os 30 dólares por MWh constituiria um ato que atenta contra a lei, e respaldou a postura do atual presidente da ANDE, Félix Sosa, de rejeitar um documento que poderia gerar consequências jurídicas.
O caminho legal: a aprovação parlamentar
Frente à insistência do Governo para concretizar estes projetos industriais, Cáceres instou a transparentar o processo e submetê-lo ao debate legislativo.
Se é que de repente o ministro de Indústria e Comércio, o chefe de Gabinete, desejam desenvolver algum tipo de indústria com subsídios, têm que levar uma lei onde se faça um subsídio explícito e o Parlamento esteja de acordo
Segundo o especialista, na função pública o que não está escrito não está permitido. Enfatizou que nenhuma entidade pode oferecer tarifas subsidiadas senão mediante uma disposição legal específica.
Considerações sobre viabilidade econômica
O ex-gerente técnico também questionou a viabilidade econômica deste tipo de concessões. Ao trasladar o debate ao Congresso, sinalizou que necessariamente deverá responder-se de onde provirão os fundos para cobrir a diferença entre o custo real da energia e o que abonaria a indústria beneficiada. Reiterou que a ANDE não deveria ser a entidade prejudicada por estas decisões.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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