Especialista sugere otimizar gastos públicos em programas sociais e Caixa Fiscal
Análise sobre a qualidade do gasto público
Manuel Ferreira, ex-ministro da Fazenda, considera que o desafio fiscal que enfrenta o Paraguai não responde unicamente à insuficiência de receitas, mas à qualidade do gasto público. Segundo sua análise, a arrecadação tributária se incrementou significativamente, porém este crescimento não gerou um impacto proporcional na prestação de serviços públicos.
"Este é um Estado que demonstrou que quando sobe a arrecadação, ele se vira e gasta mais do que isso. Nós aumentamos creio que 14 vezes nossa arrecadação nos últimos 20 anos, e esse número não se traduziu em maior bem-estar ou maior qualidade de serviços públicos prestados pelo Estado, mas cada vez vai se complicando mais", expressou em uma entrevista radiofônica.
Recomendações para otimizar o gasto
Ferreira propõe analisar reduções em gastos estratégicos, particularmente na Caixa Fiscal e em programas sociais como Hambre Cero, alimentação nas escolas e pensão de adultos maiores.
Respecto ao programa de alimentação escolar, detalha que atualmente representa um custo de USD 660 milhões. Embora grande parte devesse ser coberta com recursos de Itaipu, assinala que 80% representa pressão para o Fisco, especialmente considerando a redução nas receitas das binacionais devido à queda do dólar.
Análise de programas sociais
Sobre a pensão para pessoas maiores de 65 anos, Ferreira aponta mudanças significativas em seu orçamento. De contar com aproximadamente USD 80 milhões em 2013, o programa se elevou a USD 450 milhões atualmente.
O ex-funcionário enfatiza a importância de melhorar a focalização destes programas. Sugere que tanto Hambre Cero quanto a Lei de Adultos Maiores requerem uma melhor orientação à população mais vulnerável, considerando que atualmente têm um alcance muito amplo que inclui beneficiários que poderiam ser atendidos por outras vias.
Proposta de economias fiscais
Ferreira estima que otimizando estes programas seria possível gerar economias significativas. "Se reduzimos à metade Hambre Cero, se reduzimos à metade Adultos Maiores, nos economizamos USD 400 milhões, focalizando o gasto. Se resolvemos o assunto da Caixa Fiscal, nos economizamos USD 500 milhões", indicou.
Com respeito a outros rubros que poderiam ser considerados como gastos supérfluos, Ferreira reconhece que devem ser avaliados, mas enfatiza que esta análise deve ser realizada de forma detalhada, considerando cada rubro e entidade individualmente.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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