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Saúde

Especialista compartilha as chaves para cuidar da saúde mental de jovens

20/09/2026 10:45 4 min lectura 56 visualizações

Em setembro, mês em que se celebra a primavera e a juventude, destaca-se que o Paraguai conta com grande quantidade de jovens. Dos 6,2 milhões de pessoas que habitam a terra guarani, aproximadamente 24,7% são jovens, o que equivale a 1,5 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Assim como é importante priorizar a educação deste setor da população, também se ressalta que deve-se dar vital atenção à sua saúde, em especial à sua saúde mental. E para fazê-lo deve-se começar nas famílias e o primeiro passo é a escuta.

Ao realizar um olhar para a saúde mental dos jovens paraguaios sobressai a preocupação com "os sintomas de ansiedade e depressão, as autolesões, a conduta suicida, dificuldades de regulação emocional e problemas relacionados com experiências traumáticas", explica o psiquiatra, doutor Julio Torales.

Destaca que outros problemas que se veem estão vinculados ao sono, os transtornos da conduta alimentar, o consumo de substâncias, o assédio escolar e as dificuldades familiares.

Entre as principais recomendações que dá o especialista está saber o que pensam e sentem os filhos. "Nas famílias, provavelmente uma das intervenções mais poderosas seja também uma das mais simples: estar disponíveis para escutar. Escutar antes de julgar. Evitar respostas como 'você não tem motivos para estar triste', 'isso é uma bobagem', 'na nossa época era pior' ou 'você faz isso para chamar atenção'".

Comentou que em uma pesquisa de 2025, analisaram 535 adolescentes de 12 a 18 anos de Assunção e Central. "Encontramos testes positivos para sintomas depressivos em 50,3%, ansiedade em 40,6% e sintomas de estresse pós-traumático em 64,5%", explicou o especialista.

Outros dados que encontraram durante a pesquisa é que 30,5% dos adolescentes relataram autolesões não suicidas. "As adolescentes apresentaram uma carga particularmente importante destes problemas", acrescentou.

Um fator preocupante, segundo o especialista, é o incremento do suicídio. "Em outro estudo que realizamos utilizando os registros oficiais de todo o país, identificamos 940 suicídios de crianças e adolescentes entre 2004 e 2022. A idade média foi de aproximadamente 15 anos. Os dados mostram uma tendência ascendente: a taxa de suicídio infantojuvenil passou de 1,6 por cada 100.000 habitantes em 2010 para 3,0 por 100.000 em 2022. Ou seja, praticamente se duplicou".

Acrescentou que o mais importante não é buscar um sinal isolado, mas reconhecer mudanças significativas e persistentes em relação a como era habitualmente esse adolescente.

Explicou que a prevenção inicia muito antes de uma crise. "Começa quando conseguimos que uma criança ou um adolescente possa dizer 'não estou bem' e encontre um adulto que o escute, leve a sério e saiba como ajudá-lo".

Tecnologia. Sobre a influência das telas, Torales indicou que não se pode realizar uma explicação simplista, já que "a evidência científica mostra uma relação muito mais complexa".

Destaca os benefícios das tecnologias para a aprendizagem e o entretenimento, mas alerta que o problema aparece quando sua utilização desloca elementos essenciais para a saúde mental, como dormir bem, fazer atividade física, estudar, manter relações presenciais ou dispor de momentos de descanso.

"Em nossa pesquisa com adolescentes paraguaios encontramos que o bullying, a solidão e a insegurança alimentar estavam associados com autolesões e pensamentos suicidas. Isso é importante porque demonstra que não podemos reduzir a saúde mental adolescente a 'um problema de telas'".

Indicou que há determinantes familiares, escolares, sociais e econômicos que também têm um peso considerável.

Lembrou que há disponível a Linha 155, gratuita e disponível 24 horas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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