Empresários anunciam ação legal se salário subir acima do IPC
Após as declarações do presidente da República, Santiago Peña, que qualificou de ínfimo o percentual para o reajuste do salário mínimo legal, adiantando que poderia aumentar a cifra por decreto se não concordar com a proposta do Conselho Nacional de Salários Mínimos (Conasam), o setor empresarial anunciou que tomará ações legais se não se ajustar ao Código Trabalhista.
"O Conselho de Salário Mínimo vai analisar. Vão me fazer uma proposta e vou refletir internamente e vou tomar uma decisão", assinalou Peña em declarações à imprensa há uma semana.
Se for ajustado hoje o salário mínimo legal com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) até março, subiria apenas G. 55.082 (1,9%), um montante rejeitado pelas centrais operárias, que há anos demandam um novo mecanismo para estabelecer o aumento salarial.
Cada ano, o Conasam –integrado pelo Estado, empresários e sindicatos– se reúne e aguarda o relatório do Banco Central do Paraguai (BCP) sobre o IPC para depois recomendar um ajuste ao salário mínimo.
Neste sentido, tanto no Congresso como no Ministério do Trabalho, Emprego e Seguridade Social (MTESS) se debatem propostas para modificar a fórmula para estabelecer o reajuste e que não inclua somente o IPC, mas também indicadores como o PIB per capita, a produtividade laboral e o índice de alimentos da cesta de consumo, entre outros. Esta nova calculadora deve ser estabelecida por lei, pelo que avançam os debates e negociações.
POSICIONAMENTO. O representante empresarial ante o Conasam, Eng. Enrique Vidal, disse que diante de um cenário de reajuste "arbitrário" por parte do presidente da República, além de que muitos setores não estarão de acordo, podem recorrer à Justiça. "Aqui os mais atingidos vão ser as mipymes e aí vai aumentar o percentual de informalidade", assinalou.
Vidal considerou, com relação às propostas de mudança de fórmula para o aumento, que deve ser através de uma lei, caso contrário seriam medidas arbitrárias.
Sonia Cáceres, da Associação de Empresas Paraguaias Provedoras para Eventos (Aseppe), também criticou as declarações do presidente da República sobre um eventual incremento "arbitrário" e "unipessoal".
Disse que não se opõem a um aumento do salário mínimo, mas que se rija pelo estipulado na lei.
A empresária de eventos lamentou que em meio a uma baixa produtividade dos trabalhadores do setor se insista em aumentar o salário mínimo acima do cálculo do IPC. "Por mais que eles aumentem o salário, a produtividade está baixa", afirmou.
Enquanto isso, na segunda-feira se prevê apresentar no Congresso um projeto que busca estabelecer um cálculo para o novo reajuste, incluindo outros indicadores, entre eles a produtividade, PIB per capita e outros.
Uma vez mais, o objetivo este ano é aprovar uma nova lei, cuja fórmula deve usar o Conasam para determinar o montante do reajuste do salário mínimo. No ano passado, o aumento foi de G. 100.739 devido a que o IPC foi só de 3,6%.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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