E você, como sobreviveu? A pergunta do "último dia" para encontrar sobreviventes no Nepal
De uma das aeronaves desceram três crianças muito pequenas. KC deteve uma delas enquanto caminhava em direção ao local onde atendiam os evacuados e voltou a perguntar.
"Corri um risco e salvei minha vida", respondeu a criança. Quando chegou a água, havia decidido correr em direção à montanha.
Dois dias após a enchente que devastou o vale do Bhote Koshi, essa simples decisão resume para KC a tênue fronteira que separou muitos dos que sobreviveram daqueles que continuam desaparecidos.
Os que reagiram correndo para as zonas altas tiveram mais possibilidades; muitos dos que buscaram refúgio em seus veículos ou tentaram escapar seguindo as estradas ficaram presos porque as vias discorrem em numerosos trechos praticamente no mesmo nível que o rio.
Agora o tempo também começa a se esgotar.
"Hoje é o último dia", diz KC, um dos oficiais à frente das operações, enquanto aguarda o próximo helicóptero.
Isso não significa que amanhã a busca vá terminar, mas que, após dois dias, as possibilidades de encontrar com vida quem continua desaparecido se reduzem drasticamente.
A dezenas de quilômetros, em um hospital de Katmandu, Girilal Budhathoki havia chegado à mesma conclusão algumas horas antes.
O caminhoneiro de 38 anos sobreviveu com a cabeça ferida e enormes dificuldades para caminhar depois que a correnteza destruiu a casa onde vivia com sua família. Sua esposa e seus quatro filhos, dois meninos de 10 e 12 anos e duas filhas de 16 e 18, desapareceram com ela.
"Vi algo que parecia um tsunami. Havia um ruído enorme, como se algo tivesse explodido", relatou à EFE. "A casa onde vivíamos desabou. A água a levantou vários metros", garante.
Budhathoki conseguiu se arrastar e subir até um local seguro, de onde posteriormente foi evacuado em helicóptero. Durante um dia continuou acreditando que sua família poderia ter feito o mesmo.
"Até ontem ainda tinha esperança de encontrá-la", disse diante de uma lista de mortos e desaparecidos colada na parede do hospital. Mas, continua, "agora já não tenho esperança de encontrá-los vivos".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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