Dois potentes terremotos deixam pelo menos 32 mortos, 700 feridos e devastação na Venezuela
Sismos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem o norte do país; La Guaira é a zona mais afetada
Um primeiro sismo de magnitude 7,2 teve seu epicentro 21 km a oeste de Morón, no norte do país, às 22h04 GMT (18h04 locais) e foi seguido quase um minuto depois por outro mais forte de 7,5 a alguns quilômetros de distância, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na rede social X.
A potência destes terremotos foi tal que se fizeram sentir até na Colômbia, onde algumas alarmas soaram, constatou a AFP.
La Guaira, uma cidade a 40 minutos de Caracas e onde se encontra o aeroporto internacional de Maiquetía, é a zona mais afetada pelos movimentos sísmicos.
"Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrarmos aí, imagina você", diz à AFP Larry Rojas, de 49 anos, diante de um edifício desabado onde sua família se encontra presa sob os escombros.
A presidenta interina, Delcy Rodríguez, informou passada a meia-noite da quarta-feira que tem "relatos de 32 falecidos" e "mais de 700 feridos", ao assinalar que ainda não conta com dados de La Guaira.
"Há dezenas de edifícios colapsados e estamos neste momento em trabalhos muito árduos de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar", disse a mandatária em mensagem dirigida ao país.
As ruas de La Guaira, localizada na costa, encontravam-se escuras caída a noite, enquanto a população pedia ajuda e se mobilizava para tentar resgatar as pessoas que ficaram presas.
"Ali há gente viva e ninguém vem salvar", disse uma mulher que espera notícias de sua filha que ficou soterrada entre um edifício de 12 andares que desabou completamente.
O governo interino decretou o estado de emergência em todo o país diante da gravidade dos danos e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".
Várias zonas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cheias de vidros caídos das janelas.
Os tremores também danificaram parte das instalações do aeroporto internacional de Maiquetía, que serve à capital venezuelana.
O terminal aéreo encontra-se fechado "por graves danos em sua infraestrutura", precisou Rodríguez em seu pronunciamento.
Caracas conta, porém, com o aeroporto militar de La Carlota, localizado em plena zona metropolitana.
Na capital, as cenas eram de destruição e pânico, segundo uma jornalista da AFP, que viu um imóvel de 22 andares completamente destruído na zona de Chacao, no leste da cidade.
Pessoas gritavam os nomes de seus familiares da rua e alguns voluntários subiam aos escombros. "Precisamos de lanternas", pedia um deles ao cair a noite.
Fora do centro comercial Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma comerciante de 42 anos, se expressou surpresa com a magnitude das sacudidas.
"Não sei nem quanto tempo durou. Estava no último andar. De algumas lojas caíram bastantes coisas. Saímos pelas escadas de emergência, por aí nos tiraram", disse à AFP.
"Desprenderam-se as escadas, racharam toda a parede. Caíram coisas do teto. Foi horrível", assinalou Odalis Escalona, uma funcionária bancária de 54 anos.
O presidente estadunidense, Donald Trump, indicou que os dois terremotos causaram uma "quantidade devastadora" de mortes na Venezuela, país que agora considera um aliado depois de ordenar a captura em uma operação militar do deposto mandatário Nicolás Maduro.
"Estaremos aí para nossos novos e grandes amigos. Os primeiros relatos não são bons", escreveu Trump na rede social X.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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