Díaz-Canel responde a Trump: "Não temos medo da guerra"
Líder cubano afirma que país se prepara para possível agressão dos EUA e rejeita ameaças
"Não queremos uma guerra (com Estados Unidos), mas tampouco temos medo. Estamos nos preparando para que não nos pegue de surpresa nem sejamos derrotados", disse o chefe de Estado cubano em entrevista à emissora britânica Sky News.
Díaz-Canel garantiu que a retórica "ameaçadora" —e quase diária— do Governo estadunidense sobre uma agressão contra Cuba faz parte de "uma estratégia de intoxicação mediática e de guerra psicológica" para aterrorizar o país e constitui uma "atrocidade e uma afronta" à dignidade do povo cubano.
"Somos um país de paz. Não somos uma ameaça para ninguém, ao contrário, oferecemos solidariedade ao mundo. Portanto, Cuba não é uma nação em conflito, não somos uma colônia e não vamos renunciar à nossa soberania nem à independência", acrescentou.
O mandatário cubano se pronunciou após as declarações de Trump que asseguravam nesta mesma quarta-feira que, depois de muitas décadas, Cuba estava "se aproximando" da órbita estadunidense, quase um mês depois de o Departamento do Tesouro dos EUA impor uma nova rodada de sanções contra a cúpula política de Havana, ao mesmo tempo em que mantém um bloqueio econômico contra a ilha.
Segundo Díaz-Canel, a atual Administração estadunidense tem dito "muitas mentiras" e "manipulado" a opinião pública internacional, enquanto Cuba enfrenta um ponto de "máxima pressão" após o endurecimento do bloqueio, que está afetando a vida diária dos cubanos.
Cuba vive uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo cerco petroleiro dos EUA e à qual se somaram em maio sanções a toda pessoa ou entidade que apoie o Governo cubano ou que opere em setores-chave como energia, defesa, finanças e mineração.
O Executivo cubano solicitou esta semana à Assembleia Geral da ONU uma sessão para abordar os efeitos do bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha. A reunião ocorrerá presumivelmente no dia 7 de julho em Nova York.
Perguntado pela Sky News se, após as recentes intervenções estadunidenses na Venezuela e no Irã, leva a sério as ameaças de Trump, Díaz-Canel disse estar disposto a lutar "até a última gota de sangue" para defender os direitos, a independência e a soberania de Cuba.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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