Enviado dos EUA se reunirá com Netanyahu após conversar com Hamas no Egito
Jared Kushner busca impulsionar plano de paz para Gaza em meio a divergências entre Israel e movimento islamista
O enviado dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, se reunirá na segunda-feira com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, após conversar no Egito com o movimento islamista Hamas para tentar impulsionar um plano de paz para Gaza. O encontro ocorre em momentos em que Washington tenta apaziguar as diferenças entre Israel e Hamas sobre a implementação do plano de paz impulsionado por Trump.
O Hamas deu seu aval no final de julho a um roteiro estadunidense, destinado a colocar em marcha a segunda fase do plano, que prevê o desarmamento do movimento islamista e a retirada israelense do território palestino. Mas Netanyahu rejeitou o texto exigindo um "verdadeiro" desarmamento do Hamas.
Kushner e membros da delegação do Hamas se reuniram no domingo no Egito, um encontro do qual também haviam dado conta fontes do movimento islamista, segundo fontes informadas do encontro. Durante a reunião, o Hamas reafirmou seu compromisso com o plano de paz, segundo as fontes.
Por sua parte, Kushner insistiu em um desarmamento total do movimento palestino e em que este não tenha nenhum papel no futuro governo de Gaza, acrescentaram. Também pediu provas "verificáveis" do desarmamento e que o território "não volte a ser uma fonte de terror para Israel".
O movimento islamista palestino, que governa Gaza desde 2007, anunciou em julho a dissolução de sua administração civil e sua intenção de transferir suas responsabilidades ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um órgão criado pela "Junta de Paz" e composto por tecnocratas palestinos, que deverão garantir a transição no território.
Em um comunicado do domingo, o Hamas disse que elevou um pedido à junta que "obrigue" Israel a aceitar o plano para um cessar-fogo em Gaza.
Previamente, Kushner havia se reunido com mediadores do Egito, Catar e Turquia, e também com Nickolay Mladenov, alto representante para Gaza da "Junta de Paz" lançada por Trump e criada para a implementação do acordo, informou o governo egípcio.
Israel mantém os bombardeios
Kushner também se reuniu com o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, enquanto o chefe do Hamas, Jalil al Haya, se encontrou com o chefe dos serviços de inteligência egípcios, Hasan Rashad.
Durante anos, os Estados Unidos se recusaram a manter contatos com o Hamas, ao qual classificaram como organização terrorista e que liderou o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que desencadeou a guerra de Gaza.
Mas o governo de Trump se mostrou cada vez mais disposto a manter contatos diretos na esperança de encerrar a devastadora guerra, negociando o acordo de cessar-fogo de outubro que permitiu a liberação dos reféns israelenses que restavam.
Em um comunicado conjunto, oito países muçulmanos, entre eles Egito, Catar e Turquia, condenaram a rejeição israelense do roteiro, considerando que colocava em risco "os esforços coletivos encaminhados a alcançar uma paz justa e duradoura".
O Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo alcançado em outubro de 2025 no território palestino, devastado por dois anos de guerra.
Israel retomou os ataques aéreos em Gaza e várias pessoas resultaram feridas no domingo depois que aviões israelenses atacaram uma habitação ao oeste de Nuseirat, informou Mahmud Basal, porta-voz da agência de defesa civil de Gaza.
O exército israelense afirmou que respondia a uma ameaça de militantes da Jihad Islâmica. As forças israelenses também abriram fogo contra várias tendas de deslocados ao oeste de Jan Yunis, no sul da Faixa, causando vários feridos.
Pelo menos 1.262 palestinos morreram pelas operações israelenses desde que entrou em vigor o cessar-fogo, em 10 de outubro, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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