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Economia

Depreciação do dólar impacta na competitividade da indústria recicladora paraguaia

05/09/2026 05:00 3 min lectura 419 visualizações

Impacto na competitividade do setor

A depreciação da moeda estadunidense repercute na indústria recicladora. Conforme dados da Câmara de Indústrias Sustentáveis do Paraguai (Cispy), as empresas dedicadas à reciclagem experimentam uma redução em sua competitividade, determinados materiais deixaram de encontrar compradores nos mercados internacionais, e a pressão se traslada para os centros de acopio e os recicladores de base.

Antonella Silvera, gerenta geral da Cispy, apontou que o setor vem alertando sobre essa problemática desde 2025. A preocupação fundamental não reside na existência de flutuações cambiais, mas na velocidade com a qual estas se produzem. "O que nós pedimos é que possa intervir o Banco Central do Paraguai e possa acompanhar realmente para que essa velocidade possa ser um pouco mais progressiva", manifestou.

Redução de ingressos com volumes de exportação similares

O impacto principal se explica porque as empresas exportadoras recebem pagamentos em dólares, enquanto uma parte considerável de seus custos operacionais — incluindo mão de obra, logística, energia e despesas administrativas — são cancelados em guaraníes.

Silvera exemplificou a situação com uma exportação de USD 100.000. Com uma taxa de câmbio de G. 8.000, esse ingresso equivalia a G. 800 milhões. Com um dólar cotizando-se a G. 6.000, os mesmos USD 100.000 representam G. 600 milhões. "Hoje estamos recebendo muito menos em moeda local", afirmou.

Como resultado direto, determinados materiais reciclados perderam viabilidade comercial. Silvera mencionou o caso do polietileno de alta densidade soprado, cuja exportação deixou de ser rentável no mercado brasileiro. "Temos uma indústria que está priorizando quais são os materiais que sim vão continuar sendo comercializados, atendendo a que todos os preços mudaram", explicou.

Variação nos preços de materiais recicláveis

Os valores que percebem os recicladores também experimentaram reduções. O PET, utilizado em garrafas de água, caiu de aproximadamente G. 4.000 a G. 3.000 por quilograma. A sucata ferrosa descendeu de cerca de G. 1.500.000 a G. 1.200.000 por tonelada. O vidro verde, por sua vez, deixou de ser comercializado para exportação e atualmente não possui cotização no mercado.

Os materiais que deixam de encontrar mercado não desaparecem da cadeia de valor: permanecem nas mãos de quem os recolheu ou armazenou, o que gera uma pressão adicional sobre seus ingressos.

Dimensão social da situação

A situação apresenta uma dimensão social relevante. "Estamos falando de aproximadamente 130.000 pessoas que trabalham ou que estão ligadas a este tipo de economia circular", indicou Silvera. A Câmara estima ainda que existem cerca de 2.500 centros de acopio no país, muitos deles de pequena escala.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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