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Paraguai

Da terra paraguaia às mesas do Japão: compatriotas cultivam mandioca e milho para manter vivo o sabor de casa

A mais de 18 mil quilômetros do Paraguai, migrantes produzem alimentos típicos paraguaios em solo japonês

08/09/2026 02:00 3 min lectura 292 visualizações

A mais de 18.000 quilômetros do Paraguai, compatriotas radicados no Japão cultivam mandioca e milho, produzem almidão e até elaboram queijo paraguaio. A colheita de mandioca prevista para outubro de 2026 já tem pedidos antecipados entre a comunidade migrante, que busca conservar na mesa os sabores de sua terra.

A distância não conseguiu apagar o sabor do Paraguai. Em diferentes regiões do Japão, compatriotas encontraram uma maneira de manter próximas as comidas com as quais cresceram: plantando, colhendo e elaborando em solo japonês alguns dos ingredientes que sustentam a gastronomia paraguaia.

Mandioca, milho, almidão e queijo paraguaio fazem parte de uma produção que nasceu de uma necessidade concreta da coletividade: conseguir os produtos necessários para preparar sopa paraguaia, chipa, mbejú e outras comidas tradicionais longe do país.

A história foi coletada por Miryan Megumi Kumagai Yamashita, dirigente da coletividade paraguaia no Japão e autora do livro "Paraguay, sabor de mis recuerdos, aromas que llegan al corazón", escrito integralmente em japonês.

Durante a investigação para sua obra, Megumi descobriu que por trás de muitos dos alimentos que chegam às mesas paraguaias no Japão existe o trabalho de compatriotas que decidiram produzi-los lá. "Muitos paraguaios não querem perder os costumes nem os sabores com os quais cresceram. Por isso foram se desenvolvendo empreendimentos para cultivar e produzir alimentos típicos", relatou durante uma entrevista concedida à mídia estatal de Tóquio.

A mandioca que viaja de Itapúa ao Japão

Um dos produtos mais procurados é a mandioca. A colheita se concentra tradicionalmente em outubro e a demanda da comunidade paraguaia é tal que os produtores já começaram a receber reservas para a próxima temporada.

A comercialização é realizada principalmente por meio de redes sociais e grupos de compatriotas. Um dos anúncios divulgados recentemente oferece mandioca "de Itapúa, fresca no Japão, colhida em outubro de 2026" e resume o percurso do produto com uma frase: "Direto da terra à sua mesa". A disponibilidade é limitada e os pedidos são realizados com antecedência para garantir uma parte da colheita.

O produto tem também um valor considerável no mercado japonês. De acordo com Megumi, o preço gira em torno de US$ 5 por quilograma, uns G. 30.000, embora para os compradores paraguaios o custo não seja necessariamente o principal fator.

A mandioca permite voltar a preparar em família uma comida conhecida, recuperar sabores da infância e, especialmente para quem nasceu no Japão, manter um vínculo com uma cultura que conhecem muitas vezes através da culinária.

Milho e almidão para a chipa e o mbejú

A produção também não se limita à mandioca. Paraguaios radicados em diferentes zonas do Japão também cultivam milho utilizado em preparações tradicionais. Parte da mandioca, além disso, é processada para obter almidão, um dos ingredientes fundamentais da chipa e do mbejú.

Assim, uma cadeia que começa nas plantações termina nas cozinhas das famílias paraguaias. A produção local permite acessar ingredientes que durante anos foram difíceis de conseguir e que representam muito mais que alimento para quem está longe de casa.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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