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Internacional

Crise agroalimentar global: Impacto da situação no Irã na produção de alimentos

30/08/2026 10:45 3 min lectura 7 visualizações

Crise agroalimentar global pela situação no Irã

A agricultura global experimentou uma forte crise nos seis meses de conflito no Irã, caracterizada pelo encarecimento de fertilizantes e da energia, cujas consequências poderão agravar-se no final do ano e durante 2026 e 2027 nas colheitas e na oferta de alimentos.

O bloqueio do comércio de fertilizantes, a elevação do preço do combustível, os desajustes logísticos e os consequentes aumentos de custos de produção destacam-se entre os efeitos principais do conflito. Esta crise soma-se às tensões existentes pela situação na Ucrânia e a um ano de calor extremo que está afetando o setor agrícola.

Em países como a Espanha, os produtores de cereais reportaram que esta foi a campanha mais cara de sua história. A região do Golfo Pérsico concentra entre 30% e 35% das exportações mundiais de ureia e entre 20% e 30% das de amônia, enquanto 30% do comércio global de fertilizantes transita pelo Estreito de Ormuz, via que experimentou uma paralisação significativa.

Projeções da OCDE e FAO

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertaram de que o conflito acarretará um declínio da produção agrícola em 2026 e 2027, assim como um encarecimento dos preços dos alimentos.

Segundo análises da Fundação das Caixas de Poupança (Funcas) na Espanha, o impacto completo da situação ainda está por se materializar. Até agora foi menor no Hemisfério Norte porque os agricultores haviam adquirido parte dos fertilizantes para o plantio do início do ano e porque o aumento da produção da China atuou como contrapeso.

Vulnerabilidade diferenciada por regiões

Contudo, na Espanha e na União Europeia (UE) a crise se intensificou porque vem sendo desmantelada a produção interna de fertilizantes, em contraste com a recuperação de sua fabricação em países como Estados Unidos, Egito ou Argentina.

O risco, segundo especialistas, é assimétrico conforme a dependência dos países dos fluxos de produtos e insumos agrários que passam pelo Estreito de Ormuz. Os mais afetados seriam os países do Golfo, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na Ásia, as colheitas de arroz podem ser mais baixas pela sua elevada dependência de fertilizantes que transitam por Ormuz. Na África, que importa alimentos e adubos, existe risco de quedas desproporcionais de colheitas e aumento da insegurança alimentar. Na América Latina, apesar de ser exportadores agrícolas líquidos, também podem registrar-se reduções na produção.

Confluência de conflitos geopolíticos

Um risco adicional é a sobreposição da crise de fertilizantes com a reescalada no Mar Negro e a restrição da oferta de grão ucraniano ou russo. Esta confluência de conflitos geopolíticos está se refletindo nos mercados, especialmente nos europeus.

Desde o fechamento do Estreito de Ormuz, as barreiras aos intercâmbios de fertilizantes aumentaram até afetar 15% das exportações mundiais, segundo dados da OMC. Esta situação levou a União Europeia a impulsionar planos para promover a produção interna de fertilizantes, reconhecendo que a soberania alimentar está estreitamente vinculada com a capacidade de produção destes insumos.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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