Créditos de carbono no Paraguai: qual é o impacto econômico real?
O conteúdo desta nota se baseia na análise técnica e investigação desenvolvidas pelo especialista Alfredo Molinas.
O debate sobre o potencial econômico dos créditos de carbono no Paraguai volta a se instalar na agenda nacional após as estimativas que projetam um forte crescimento deste mercado nos próximos anos. Porém, Alfredo Molinas, ex-ministro do Ambiente e de Agricultura e Pecuária, considera que as expectativas devem estar respaldadas por informação verificável e resultados concretos.
Segundo apontou, desde a aprovação da Lei n.º 7190/23 de Créditos de Carbono consolidou-se a percepção de que o país poderia captar importantes ingressos graças aos seus recursos florestais, sua matriz energética limpa e o marco legal vigente. Porém, até o momento não existe evidência pública suficiente que permita confirmar o ingresso efetivo dos montantes que costumam ser mencionados em torno deste mercado.
Molinas sustentou que, para avaliar o verdadeiro impacto econômico dos créditos de carbono, é necessário distinguir entre projetos em desenvolvimento, créditos potenciais, créditos certificados, vendas efetivas e recursos efetivamente percebidos por proprietários, comunidades ou setores produtivos. "Não é a mesma coisa uma expectativa de ingressos que um ingresso real obtido", ressaltou.
O ex-ministro também citou relatórios internacionais que mostram um cenário de cautela para o mercado voluntário de carbono. De acordo com dados de Ecosystem Marketplace, o valor global deste segmento alcançou USD 535 milhões em 2024, registrando uma queda de 29% em relação ao ano anterior. Igualmente, organismos internacionais reportam uma oferta de créditos superior à demanda, o que reflete as dificuldades existentes para concretizar operações comerciais.
Nesse contexto, considerou que as projeções sobre ingressos futuros para o Paraguai devem ser analisadas com prudência e acompanhadas de informação detalhada sobre os projetos, os volumes transacionados, os compradores, os registros utilizados e os recursos efetivamente gerados. Ao seu critério, a transparência será chave para fortalecer a credibilidade do setor e gerar confiança em torno deste novo mercado.
Molinas concluiu que a Lei de Créditos de Carbono constitui uma ferramenta importante para ordenar e regular a atividade, mas alertou que o desenvolvimento do setor dependerá da existência de demanda internacional, projetos competitivos e operações verificáveis. "A oportunidade existe, mas deve se sustentar em evidência e resultados concretos", afirmou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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