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Internacional

Como o governo da Venezuela respondeu às críticas sobre sua resposta aos devastadores terremotos

A presidenta encarregada Delcy Rodríguez qualificou de 'miseráveis' as críticas aos atrasos na ajuda

03/07/2026 13:45 3 min lectura 3 visualizações
Cómo ha respondido el gobierno de Venezuela a las críticas por su respuesta a los devastadores terremotos

A presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, qualificou de "miseráveis" as críticas pelos atrasos no auxílio durante os terremotos da Venezuela do passado 24 de junho.

"É miserável, desalmado, desconsiderado (com) um povo sob angústia", disse Rodríguez em uma tensa coletiva de imprensa onde foi questionada sobre a falta de atuação da força pública em um desastre que já deixou milhares de mortos e feridos, bem como incontáveis pessoas desaparecidas.

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, com apenas 39 segundos de diferença, afetaram principalmente a zona norte da Venezuela.

O duplo terremoto de uma semana atrás é o mais mortal que a Venezuela viveu no último século. Cinquenta e nove anos antes, em julho de 1967, um sismo ocorreu nas proximidades de Caracas causando a morte de 245 pessoas, milhares feridos e danos materiais muito quantiosos.

Os sismos de oito dias atrás afetaram Caracas e outros seis estados do norte do país. A região mais afetada foi La Guaira, uma zona costeira que já viveu uma tragédia por um deslizamento em 1999 que deixou milhares de mortos.

Rodríguez afirmou que a força pública se desdobrou para atender às consequências do fenômeno e que as denúncias da falta de atuação provêm de laboratórios e matrizes criadas para politizar a situação de emergência.

"Que diga a alguém que lhe foi negado acesso, ajuda, que alguém diga não há, não isso não existe", reclamou.

Essas declarações chegam após os questionamentos de rescatistas, ONGs e população civil sobre a militarização das zonas de desastre e a presumida falta de recursos básicos tanto para a identificação dos falecidos, seu resgate e o atendimento de feridos.

Rodríguez afirmou que o primeiro a oferecer declarações ao país após os terremotos foi o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e que "imediatamente" foi ordenado o desdobramento de funcionários de polícia e militares.

"Imediatamente se ativou o Estado venezuelano em seu conjunto. O primeiro que fizemos poucas horas após sua ocorrência foi emitir um decreto para atender essa situação de emergência, desdobrou-se imediatamente o sistema de proteção civil, o sistema de defesa pública", garantiu Rodríguez.

Porém, os enviados especiais da BBC ao local puderam comprovar durante dias as crescentes denúncias dos venezuelanos ante o que consideram uma resposta insuficiente das autoridades, enquanto cresce a sensação de frustração e indignação.

"Todos estamos bastante frustrados porque o governo não mostra o que deveria: uma ajuda séria", disse a caracenha Zaira Castro ao correspondente da BBC Will Grant no passado 28 de junho, quatro dias após o ocorrido.

Em La Guaira, a BBC também registrou no passado 27 de junho o caso de Carlos Eduardo, de 31 anos, cujos familiares o localizam sob os escombros, inclusive o ouvem, mas não têm como resgatá-lo. "Aí estamos, esperando a ajuda, esperando a ver se conseguimos tirá-lo com vida", disse seu primo à BBC.

Em Caraballeda, localidade da costa em La Guaira, Mileidy Romero, que participava em tarefas de resgate, explicou à agência AP que "há um monte de cadáveres lá desde a noite passada. Bebês recém-nascidos". E que no passado sábado à noite, três dias após os terremotos, "havia gente com vida lá embaixo e não se incomodaram em resgatá-los. Tampouco nos ajudaram a recuperá-los. No que estão esperando?", acrescentou.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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