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Internacional

Como as megacárceres de Bukele se tornaram um modelo para a direita radical (e o que aconteceu onde foram replicadas)

O sistema penitenciário salvadorenho inspira líderes políticos em América Latina e Europa, mas críticos alertam sobre violações de direitos humanos

23/06/2026 13:45 3 min lectura 12 visualizações
Cómo las megacárceles de Bukele se convirtieron en un modelo para la derecha radical (y qué ha pasado donde se han replicado)

Nas últimas campanhas eleitorais na América Latina, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e sua política de "mão dura" contra a criminalidade —incluindo suas polêmicas megacárceres— se converteram em um ponto de referência recorrente no debate político.

Na Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella, vencedor das presidenciais segundo os dados preliminares da contagem de votos, expressou abertamente sua admiração por Bukele. Durante sua campanha, prometeu a construção de sete megacárceres inspiradas no modelo salvadorenho.

No vizinho Peru, Keiko Fujimori também colocou a ideia no centro de sua proposta de segurança. A líder direitista assegurou que, ao chegar ao poder, impulsionaria a construção de quatro presídios e um megapenal para presos de alta periculosidade, "como o Cecot em El Salvador", em referência ao Centro de Confinamento do Terrorismo, um estabelecimento que recebeu numerosas denúncias de abuso dos direitos humanos.

O atrativo das megacárceres de Bukele não se limita à América Latina. Seu modelo também começou a ressoar na direita radical europeia.

Na semana passada, Jordan Bardella, presidente do partido de extrema direita francês Rassemblement National, referiu-se ao sistema penitenciário salvadorenho ao abordar o problema do superlotamento nas cárceres de seu país.

"Em um país de 6 milhões de habitantes, o senhor Bukele construiu 40.000 vagas carcerárias em oito meses", afirmou em uma entrevista com a rede BFMTV.

Embora essa abordagem resulte atrativa para alguns líderes políticos, seus críticos advertem que costuma se apresentar sem mencionar as denúncias de violações dos direitos humanos documentadas no marco dessas políticas.

"Há que se ter cuidado quando se fala do 'modelo Bukele', porque na realidade não se trata de um modelo, mas a Bukele lhe interessa que se o chame assim e que se propague para outros países", diz à BBC Mundo Sonja Wolf, pesquisadora da Faculdade de Governo e Economia da Universidade Panamericana da Cidade do México.

Wolf, que também é autora de "Mano Dura", um livro que examina a política de controle das gangues em El Salvador, afirma que parte do atrativo internacional dessa abordagem se deve ao fato de que nem sempre se conhece o contexto político em que se desenvolveu em El Salvador.

"Muitos não entendem o regime político que Bukele vem consolidando. É o que se pode descrever como uma autocracia eleitoral, na qual, para se manter no poder, precisa demonstrar que conta com o apoio do 'povo'", explica.

Nesse sentido, o regime de exceção —que permitiu detenções em massa— cumpre uma dupla função: combater a criminalidade e reforçar sua legitimidade política.

"Além das eleições, para Bukele é fundamental manter altos níveis de popularidade. O regime de exceção, apesar dos custos que teve para as pessoas detidas e para a democracia em El Salvador, conta com apoio popular, e isso lhe serve para sustentar seu projeto político", assinala.

Wolf acrescenta que a projeção internacional dessas políticas também desempenha um papel fundamental.

"A promoção do regime de exceção no exterior, assim como as visitas de líderes políticos a lugares como o Cecot, contribuem para reforçar sua imagem e para legitimar sua permanência no poder", conclui.

Em fevereiro de 2024, após ter sido reeleito como presidente com mais de 80% dos votos, Bukele destacou os resultados em matéria de segurança de seu governo e se congratulou por os ter alcançado.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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