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Política

Com este "Almirante" nem se avizora o porto

25/06/2026 07:45 3 min lectura 9 visualizações
Con este “Almirante” ni se avizora el puerto
  • Por Benjamín Livieres
  • Analista político

Acostumado a declarações grandiloqüentes, mas de pouca profundidade e menor efeito prático, o presidente do Instituto de Previsão Social, Isaías Fretes, agora nos comunica que a entidade tem um déficit de G. 150.000 milhões/mês, cerca de 25 milhões de dólares, apenas para cobrir as despesas com medicamentos, aos quais se destinaram apenas G. 42.000 milhões, equivalentes a 7 milhões de dólares.

Foi ao término de uma reunião no Senado, com membros da Comissão de Fazenda, ante os quais expôs a necessidade de declarar "estado de emergência", esclarecendo, porém, que isso só serviria em termos administrativos e não financeiros. Ou seja, reconhece não ter resposta – e se tivesse, não a diz – sobre como cobrir o enorme déficit, de mais de 75% que, segundo ele, tem o IPS no item fármacos, um dos mais sensíveis, mas não o único.

Logo em seguida perguntou para onde vai o resto do dinheiro (que sobra após o pagamento desses G. 42.000 milhões) e respondeu a si mesmo: "Para pagar dívidas". Entretanto, durante a reunião com os legisladores foram expostos outros dados que geram alarma, ao não estarem em concordância com tal afirmação. O Fundo de Saúde correspondente a maio, disseram, atingiu G. 462.432 milhões, dos quais 170.617 milhões corresponderam a obrigações financeiras.

Os números "não fecham". Se foram utilizados G. 42.000 milhões para a compra de medicamentos e se pagou G. 170.617 milhões em conceito de dívida, o montante desembolsado é de G. 212.617 milhões, em cujo caso restariam G. 219.815 milhões. Certamente haverá alguma explicação e provavelmente seja que a diferença tão grande se deva à existência de outras obrigações que deve conhecer qualquer ordenador de despesas, como insumos, salários do pessoal de saúde e múltiplas aquisições. Mas sabemos que o titular do IPS, desde o dia 1, se desentendeu das questões administrativas mais elementares, que admite desconhecer.

Lembremos que há três semanas, em plena coletiva de imprensa, se vangloriou de ter logrado um incremento das arrecadações de 60% em apenas um mês, atribuindo o fato à credibilidade de que gozaria sua gestão. Mas a realidade é que o aumento foi de 0,6%, 100 vezes menor. Por isso, na hora de analisar qualquer projeto emanado da previsional, seja a "declaração de emergência" ou outro, corresponde "examinar com lupa", como bem disse o titular do Congresso, Basilio Núñez.

Enquanto os segurados continuam submetidos a inúmeros sofrimentos, que não se resolvem com mudanças cosméticas nem a permanente exposição ante os meios de imprensa. Enquanto não se abordarem os problemas estruturais que enfrenta a previsional, suas consequências continuarão afetando os segurados, que sofrem a falta de medicamentos, insumos e insuficiência de profissionais médicos.

Estes são os aspectos que devem ser resolvidos urgentemente, mas sob nenhum ponto de vista por meio da contratação de novos empréstimos, como alguns já insinuam, pois por essa via, embora se cancelem certas dívidas, aumentaria o déficit do Fundo de Saúde e se disporia de menos recursos para fazer frente às demandas de uma quantidade de segurados que continuará crescendo.

De nada serve dizer, como Fretes, "ivaí la ore porte". O feio na realidade é que os atuais administradores não demonstrem idoneidade para enfrentar tempestades e desenhar uma folha de rota para levar a nave a bom porto.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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