ARRN celebra abertura da Ande para impulsionar a geração nuclear no Paraguai
Crescente demanda energética impulsiona busca por novas fontes
A crescente demanda de energia elétrica por parte das indústrias está obrigando o Paraguai a buscar novas fontes de geração. Neste contexto, a Autoridade Reguladora Radiológica e Nuclear (ARRN) destaca que a Ande demonstra abertura para que o setor privado participe na geração e consumo de energia nuclear, enquanto o Governo prepara o marco legal para habilitar esta alternativa emergente.
De acordo com estimativas apresentadas pelo titular da ARRN, Dr. Jorge Molina, e o vice-presidente, Dr. Eduardo Galiano, a Ande registra pedidos empresariais e industriais por 6.000 MW. Este número reflete a magnitude da necessidade energética do país.
Matriz energética diversificada
As autoridades sustentam que o Paraguai precisará somar todas as fontes possíveis de geração elétrica para acompanhar o crescimento da demanda. Os reatores modulares aparecem como uma alternativa dentro de uma matriz que também contempla gás, solar e hidroeletricidade.
Não obstante, sinalizaram que o investimento necessário para um reator modular pequeno (SMR) de até 300 MW poderia alcançar milhares de milhões de dólares. Diante do alto custo, o Governo analisa um esquema em que empresas privadas possam participar como geradoras ou consumidoras de energia.
Reunião com nova administração da Ande
As autoridades da ARRN reuniram-se com o novo presidente da Ande, Miguel Báez Reyes, com quem trocaram estratégias e ideias. Durante a conversa, notaram que o presidente está muito aberto ao diálogo nuclear como parte prática do que seria uma futura matriz energética integrada ao sistema nacional.
"Notamos que está aberto a que atores externos à Ande, por exemplo, do setor privado assumam um papel protagonista na introdução da energia nuclear no Paraguai. Isso nos deixa muito contentes porque acreditamos que estamos em muito boa sintonia nessas ideias de que, provavelmente, a Ande sozinha não vai poder, mas vai precisar de um impulso do setor privado, do setor empresarial", mencionou Galiano.
Marco legal e mudança de paradigma
Molina ratificou que a intenção é deixar aprovado o marco legal e avançar com o Acordo Bilateral 123 antes da mudança de Governo, de tal modo que com o novo, simplesmente comece com a execução do projeto. "A ideia é que comece a ser implementado no próximo Governo, não necessariamente por parte do Estado, porque sabemos que o Estado não tem dinheiro porque custa muito caro. Falamos de milhares de milhões de dólares pelo SMR de 300 MW", indicou.
Molina ressaltou que a equação tem duas variantes: o que gera e o que consome. "Temos os atores privados que queiram se dedicar à geração e venda de energia nuclear, por um lado; e por outro, atores privados que sejam compradores dessa energia nuclear. Então, ao ouvir por parte da Ande uma predisposição, uma abertura e apoio também, é uma mudança de paradigma, não é pouca coisa, porque sempre a Ande foi por lei um ente monopólio".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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