Cifarma vê com abertura a proposta de factoragem do Governo para reduzir dívidas
Posição favorável do setor farmacêutico
Os diretivos da Câmara da Indústria Química Farmacêutica (Cifarma), Hernán Streber e Luis Ávila Cacavelos, expressaram esta semana uma posição mais aberta com relação à ferramenta de factoragem proposta pelo Governo para honrar dívidas do Estado, particularmente com o setor farmacêutico e construção.
Diferentemente do setor construção, que rejeitou a proposta questionando sua viabilidade, Cifarma adota uma perspectiva pragmática diante do mecanismo, considerando que "algo é melhor que nada", segundo expressou Ávila Cacavelos.
Dívida e aplicabilidade do factoragem
Atualmente, o Governo deve às farmacêuticas um total de USD 890 milhões. Entretanto, o método de cessão de pagos tem limitações, já que exclui amparos judiciais e outros serviços. O sistema poderia aplicar-se ao rubro 350, referente a medicamentos e insumos, onde a dívida oscila entre USD 650 a 700 milhões.
Streber explicou que continua em processo de negociação um plano de pagamentos. Ávila Cacavelos informou que o Governo já realizou abonos parciais: USD 100 milhões em abril, 80 milhões em maio, e projeta pagar aproximadamente 70 milhões em junho, reduzindo gradualmente a dívida.
Vantagens financeiras do factoragem
Segundo Ávila Cacavelos, o factoragem apresenta vantagens financeiras para o setor. "Primeiro, a taxa que aplicariam é mais baixa do que a que atualmente pagamos aos bancos. Mas além disso, é preferível obter pagamentos parciais a não cobrar nada", sustentou.
O executivo reconheceu que embora o mecanismo não permita recuperar a totalidade da dívida — estimando que poderiam cobrar entre 20 e 25% no melhor dos casos —, representa uma alternativa viável diante da situação atual.
Limitações e projeto de lei em tramitação
Uma das limitações do sistema é que não inclui o cobro de juros, aspecto que Cifarma considera injusto. Existe um projeto de lei no Senado que busca autorizar o Estado a assumir os juros das cessões, embora sua tramitação se projete demorará aproximadamente 90 dias.
"Eu prefiro cobrar algo a não cobrar nada, embora tenhamos dito desde o início que não era justo que o fornecedor absorva os juros", expressou Ávila Cacavelos.
O diretor executivo enfatizou que não pode esperar os prazos legislativos necessários para que se resolva esta questão, razão pela qual considera conveniente utilizar a ferramenta disponível atualmente, especialmente considerando que a taxa aplicada por dívida soberana é menor à que bancos comerciais cobram por linhas de crédito.
Processo de tomada de decisão
Cifarma continua em diálogos para ajustar números e percentuais na proposta. A organização submeteu a decisão de recorrer ou não ao sistema de factoragem a consideração de seus associados, buscando chegar a um consenso que permita avançar na solução da problemática de dívidas do Estado.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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