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Paraguai

Caso dos navegantes: IPS calcula custo de G. 1,14 trilhões se eliminar teto de aposentadoria

Informe técnico atuarial estima impacto econômico da eventual eliminação do tope máximo do haber jubilatorio

01/09/2026 01:45 3 min lectura 11 visualizações

O impacto econômico da eventual eliminação do teto máximo do haber jubilatorio para o grupo de navegantes marítimos poderia alcançar aproximadamente G. 1,14 trilhões, de acordo com uma atualização do informe técnico atuarial elaborado pela Assessoria Atuarial do Instituto de Previsión Social (IPS), informou a Monumental 1080 AM.

O documento analisa a situação derivada do caso de um grupo de 129 segurados da atividade de navegantes marítimos que promoveu uma ação de inconstitucionalidade contra os referidos artigos no marco legal, a qual foi resolvida pela Corte Suprema de Justiça mediante o Acordo e Sentença n° 1917 de 22 de dezembro de 2016. A execução de dito fallo obriga o IPS a reconhecer habeares jubilatorios sem aplicação do tope legal.

Para realizar a estimação, a Assessoria Atuarial utilizou a informação disponível de 55 segurados com história laboral completa, considerada representativa para os cálculos. A análise incorporou componentes estatísticos, financeiros e atuariais.

Para este grupo, o IPS estima um custo total de G. 486.512.238.765, composto por obrigações retroativas e compromissos futuros.

O componente financeiro, correspondente aos pagamentos retroativos necessários para regularizar os habeares jubilatorios, foi calculado em G. 163.502.047.865, com uma média de aproximadamente G. 2.973 bilhões por pessoa.

A este montante somam-se G. 323.010.190.900 correspondentes ao valor presente dos compromissos futuros derivados do reconhecimento da diferença entre os salários considerados para o cálculo e os habeares jubilatorios. A média estimada neste componente é de aproximadamente G. 5.873 bilhões por pessoa.

O informe esclarece que o montante retroativo não contempla os pagamentos periódicos que os beneficiários continuariam percebendo no futuro, portanto o impacto econômico associado à aplicação do fallo é superior ao custo de regularização dos habeares atrasados.

Ao extrapolar o custo obtido para os 55 segurados ao universo de 129 demandantes, o informe projeta um impacto de aproximadamente G. 1,14 trilhões.

A própria Assessoria Atuarial precisa que se trata de uma extrapolação simples e não de uma quantificação individualizada, portanto a cifra deve ser interpretada como uma aproximação da magnitude do impacto econômico.

O informe também assinala que uma eventual extensão do critério judicial poderia envolver outros grupos, entre eles aposentados que já tinham habeares superiores ao máximo legal no momento de se acolherem ao benefício, bem como cotizantes ativos de navegantes marítimos e de outras atividades cujos salários de cotização superem o tope de benefício.

Não obstante, a Assessoria Atuarial indica que não pode quantificar com precisão esse universo potencial devido a que o IPS não dispõe de histórias laborais completas, particularmente pela falta de digitalização das cotizações anteriores ao ano 2000. O informe coloca a digitalização retroativa desses registros como uma medida necessária para dimensionar o risco.

O advogado Raúl Mongelós, quem leva a defesa dos afetados, reagiu ao informe e sustentou que o IPS deve cumprir a resolução judicial.

"É positivo que o IPS se coloque seriamente a cumprir com suas obrigações legais", assinalou, e agregou que o cumprimento de uma sentença da Corte Suprema de Justiça deve realizar-se porque, segundo afirmou, não existem argumentos para deixar de cumprir uma resolução desse órgão.

Mongelós também questionou que o impacto possa se apresentar como um risco de falência para o IPS. Segundo explicou, o cumprimento de uma sentença constitucional não deveria ser caracterizado dessa forma.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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