Cartismo tem hegemonia, mas liderança opositora forte poderia ser uma ameaça, afirma analista
O professor universitário e pesquisador Abel Irala sustenta que após as internas, o cartismo chegará às municipais de 4 de outubro com mais confiança, após impor-se em 240 dos 263 distritos do país.
Além disso, este movimento continuará controlando as estruturas partidárias e estatais graças a este resultado.
Honor Colorado impôs sua hegemonia e força na interna do Partido Colorado. Isso lhe dá a confiança de continuar comandando o partido, o poder público, o Estado e suas instituições da maneira em que vêm fazendo. Ou seja, governar com uma visão autoritária e despótica do poder para consolidar um modelo neoliberal, afirmou o docente.
Do mesmo modo, assegurou que a unidade entre movimentos é o esperado, e que o próprio cartismo é o interessado em que isso ocorra.
Após cada interna as divisões são superáveis. Os oficialistas de hoje (Honor Colorado) são os mais interessados em que isso aconteça, e já se deram os primeiros sinais. Por enquanto, e a julgar pelos resultados, o que se tem é uma pirâmide hierárquica sem possibilidade de confrontação de lideranças, muito distinto ao que diz Santiago Peña, quando fala da democracia no interior de seu partido, destacou.
Irala afirma que nesta fase eleitoral, a estrutura clientelista, o peso do dinheiro e as promessas prebendárias incidem mais nos resultados do que as propostas programáticas, se é que as há. Este aspecto poderia trasladar-se às eleições gerais, ao menos essa é a tendência, embora nunca de forma categórica, ressalta.
Quanto ao resultado em Assunção, o diretor de Base Is aponta que, embora Camilo Pérez tenha vencido Arnaldo Samaniego por grande vantagem como candidato a intendente colorado pela capital, 80.000 votos não lhe alcançam para a geral. Por o tanto, deverá assegurar os votos cativos da ANR. Outro fator chave será como chegue a oposição para as eleições de outubro, sublinhou.
Finalmente, Irala sustentou que o fato de o cartismo ter-se imposto na interna o ajuda a projetar uma imagem de força para 2028, justo em um momento de muito questionamento da cidadania à forma de gestão governamental.
Isso se nota na atitude militante de Santiago Peña e quase servil a Cartes, para dizer 'admiro a Cartes', mas os problemas irresolutos que afetam na cotidianeidade das pessoas seguem e se multiplicam. Se chegasse a resolver-se o vazio de liderança existente na oposição, significaria uma grande ameaça para os interesses da ANR, ressaltou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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