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Brasil-Paraguai

Senadores cartistas esperam que Chancela se pronuncie sobre "desliz" de Lula

Críticas ao silêncio da diplomacia paraguaia diante de declarações do presidente brasileiro sobre a Guerra da Tríplice Aliança

27/07/2026 19:45 4 min lectura 16 visualizações

A insatisfação pelo silêncio da Chancela após as declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva vai se expandindo no Congresso, inclusive nas fileiras do partido de Governo.

"Evidentemente, o presidente Lula teve um desliz e se equivocou em sua apreciação sobre a história e me estranha que a Chancela não se tenha pronunciado. Corresponde do meu ponto de vista, mais ainda, é preciso recorrer à bibliografia, a Efraím Cardozo...", expressou Beto Ovelar.

A este respeito, recordou que foi o Brasil o que iniciou a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai quando começou a atacar o Uruguai.

Ainda que se tenha declarado admirador da liderança de Lula e destacado que tenha sido um aliado estratégico para replicar seu programa social no Paraguai sob o nome de Tekoporã, criticou sua postura.

"Mas independentemente dessa admiração por Lula, eu não posso deixar de ver que isto foi um erro e uma falta de respeito ao Paraguai. Não é por uma questão de imagem do Paraguai, mas por uma reivindicação histórica, a história não se pode ignorar: há fatos que são evidentes e a bibliografia, neste contexto, é absolutamente clara e contundente. Acredito que estas falas do presidente não se compatibilizam com a realidade", manifestou.

O cartista não acredita que a disputa na renegociação do Anexo C do Tratado de Itaipu influencie no silêncio do Governo e aponta mais para o fato de que se está minimizando a situação porque ocorre em uma época eleitoral no Brasil.

"É uma oportunidade em que também se retifique a maneira de ensinar história no Brasil, porque nós não fomos os agressores", ressaltou o legislador oficialista.

O líder da bancada de Honor Colorado, Natalício Chase, teve uma postura mais morna e deu a entender que se está analisando um pronunciamento por parte do Governo.

"Vamos deixar que a diplomacia paraguaia faça o resto. A declaração do Senado pode se dar como uma conclusão política, mas as relações internacionais as maneja o Poder Executivo e vamos esperar como isso avança", disse após mencionar que cada um já deu seu parecer de maneira pessoal nas redes sociais.

Para Chase, o mandatário brasileiro fez essas declarações para justificar um gasto público, referindo-se a um maior apoio que está dando às Forças Armadas. Lamentou que Lula não tenha tido o tato político e histórico para falar de um fato que marcou o rumo do Paraguai.

Por outro lado, destacou a fraternidade entre os países e defendeu a unidade. "Brasil e Paraguai vêm fazendo um grande trabalho há muitos anos e antes que nos dividirmos, a história deve nos unir, não separar e oxalá que possamos continuar consolidando essa amizade de empreendimentos mútuos porque as fronteiras, com o tempo, irão desaparecendo", acrescentou.

Da oposição, Éver Villalba (PLRA) tratou o Governo de serviçal frente aos Estados Unidos e agora com o Brasil, devido às reações mornas do oficialismo e o silêncio das instituições centrais. "Quando se tratou de (Kylian) Mbappé se ativaram todos os mecanismos diplomáticos", reclamou sobre os pronunciamentos que se publicaram quando a situação afetou a liberal Celeste Amarilla.

Para Villalba, a Chancela deveria pedir a Lula, no mínimo, que esclareça suas expressões ou que se retrate, ao mesmo tempo em que recordou que em seu departamento de origem, Ñeembucú, onde se travaram batalhas, os brasileiros até pedem perdão aos moradores.

Igualmente ressaltou que o presidente do Brasil ignora completamente Santiago Peña e que prova disso é o atraso na inauguração da nova ponte que une ambos os países.

"Para a diplomacia do Brasil, consideram que o Paraguai é o porta-aviões dos Estados Unidos, essa é uma questão geopolítica muito maior que também é preciso entender; então sabe Peña por que não está reagindo", acrescentou sobre a posição do país vizinho.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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