Carlos Franco: "Meu primeiro taco foi um galho de árvore"
O golfe entrou na minha vida desde muito cedo. Meu pai era funcionário do Asunción Golf Club e isso me permitiu dar meus primeiros passos nesse esporte quando tinha apenas sete anos. Não sabia então, mas esse esporte me daria tudo na vida. Ensinou-me disciplina, respeito e perseverança. O primeiro "taco" que tive foi, na realidade, um galho de árvore que encontrei ali mesmo no clube. Lembro também que, quando criança, vendíamos empanadas para subsistir. Mas a pessoa aprende a sonhar com o que tem.
O caminho não foi nada fácil. Tive que abandonar os estudos precocemente para poder trabalhar. Constituí família muito jovem: casei-me com Celsa aos 23 anos e temos quatro filhos maravilhosos, dois homens e duas mulheres. Ao longo de todos esses anos me deram muitas satisfações, embora também me exigiram muito sacrifício.
Aos 21 anos dei um grande salto ao iniciar-me profissionalmente com turnês pela América do Sul, onde ganhei vários torneios a nível regional. Em 1991 viajei pela primeira vez à Europa e em 1993 retomei o circuito. Em 1994 comecei minha primeira turnê asiática, o que me abriu novos caminhos. O momento que marcou um antes e um depois chegou em 1999, quando fui eleito rookie do ano. Isso me abriu portas muito maiores.
O mundo do golfe é mais complexo que qualquer outro esporte. Funciona através de níveis, e esses níveis são exigentes. Não vou mentir: contar com respaldo econômico é muito importante, sobretudo quando se joga de visitante. São longos períodos nos quais há que sustentar não só a estadia, mas também a equipe que acompanha a pessoa, e manter-se competitivo frente a rivais de primeiro nível. Mas pude superar esses obstáculos.
Foram longas as turnês fora do país: Ásia, Europa, Estados Unidos. Ter a família longe nunca é fácil, mas o golfe também é isso: disciplina de vida, não só de jogo. Competi lado a lado com Tiger Woods, com o primeiro ministro da Austrália, com o primeiro ministro do Japão. Percorri o mundo, 48 países, muitos torneios e troféus. No entanto, meus 39 anos de casado são meu maior troféu. Minha família é o que mais me orgulha.
Em retrospectiva, talvez também tivesse escolhido o tênis, que gosto muito. Mas o que o golfe tem é que é um esporte baseado no respeito, e isso sempre me atraiu. Quem não entende isso não vai conseguir nada. Quem quer contornar as regras ou "hackear" o sistema cedo ou tarde será sancionado por toda a vida e nunca mais pisará num torneio profissional. A honestidade não é opcional neste esporte, é a base.
Quando pude ganhar dinheiro com o golfe, sempre tive o sonho de ter meu próprio campo. E pude materializá-lo em Arroyos y Esteros, não muito longe de Asunción e da estrada. São 106 hectares que representam o fruto de anos de trabalho, de sacrifício, de viagens e de muita disciplina. Foi o fechamento de um ciclo. Um ciclo que começou com um galho de árvore e terminou com um campo próprio.
Hoje sigo competindo, porque essa é uma vantagem enorme do golfe, é um esporte que se pode projetar a longo prazo. Na minha idade ainda posso competir profissionalmente, embora com a honestidade que corresponde: não posso fazê-lo contra os mais jovens. Assim compito com os da minha categoria. O golfe é um esporte de cavalheirismo, também nisso.
Ganhei mais de 20 torneios latino-americanos, cinco vezes o Japan Golf Tour e quatro torneios na máxima categoria do PGA Tour nos Estados Unidos, a liga mais competitiva de golfe a nível mundial. De fato, nessa liga fui o primeiro novato a passar a marca do milhão de dólares e em 1999 fui eleito como "novato do ano". Até cheguei a estar entre os 50 melhores do ranking mundial em várias ocasiões.
Em 22 de outubro de 2000, durante a disputa da Copa Presidente, fiz o melhor golpe da minha carreira, o albatroz. A ação foi eleita como uma das 10 melhores tacadas do prestigioso PGA Tour. Na mesma competição superei Hal Sutton em singles e fazendo equ...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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