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Cultura

Carlos Aníbal Peris apresenta "Sociologia paraguaia: Dois momentos"

14/08/2026 17:30 4 min lectura 33 visualizações

Apresentação da obra

O sociólogo Carlos Aníbal Peris realizará o lançamento de seu livro "Sociologia paraguaia: Dois momentos" em 21 de agosto, às 19:20, na FACSO–UNA, no marco do Simposio de Sociologia 2026. O evento contará com comentários da Profa. Ada Vera (Decana), do Prof. Luis Ortiz e do Prof. Ramón Fogel.

A apresentação estará a cargo do Prof. Ramón Fogel, enquanto o epílogo corresponde a Luis Ortiz. A edição foi realizada pela Commune Editores – Faculdade de Ciências Sociais, UNA. A entrada é de acesso livre e serão distribuídos exemplares aos assistentes.

Proposta central da investigação

O autor explicou a proposta metodológica de sua obra: "Duas vezes proibiram à sociologia paraguaia olhar para o país. A segunda não fez ruído. A história de uma disciplina costuma se escrever como genealogia de autores: quem leu a quem, o que se discutiu, o que se publicou".

Nesse sentido, o material propõe um enfoque alternativo centrado nos permissos institucionais. "Antes de uma sociedade produzir conhecimento sobre si mesma, alguém tem que autorizá-la a fazê-lo. No Paraguai esse permisso foi negado duas vezes, com setenta anos de distância e com dois procedimentos distintos", detalhou Peris.

O primeiro momento: 1900-1913

O primeiro período analisado no livro transcorre entre 1900 e 1913. Durante esse tempo, o país abriu uma das primeiras cátedras de sociologia da América Latina, impulsionada pelo positivismo e por Cecilio Báez. A reação não tardou em chegar: em Villarrica, a disciplina recebeu o que um documento da época denominou seu primeiro "batismo de sangue".

"A Igreja católica aparece aí como adversária frontal de uma ciência que se propõe explicar a ordem social sem recorrer à providência", relembrou o autor sobre este período marcado por conflitualidade visível.

O segundo momento: 1972-1983

O segundo momento que a obra analisa começa em 1972, com características muito distintas. "A carreira de Sociologia se abre na Universidade Católica: a instituição que havia combatido a disciplina é agora a única capaz de abrigá-la, porque sob a ditadura é também o último espaço com alguma margem".

Porém, essa margem revelou-se limitada. Em 1983 a carreira foi fechada. Diferentemente do primeiro momento, esse fechamento não foi acompanhado de violência física explícita. "Desta vez não há bomba nem mártir: há expediente, resolução, carimbo", precisou Peris.

A lição do silêncio administrativo

O segundo fechamento foi mais eficaz que o primeiro justamente porque não deixou cicatriz visível. "A violência física produz memória; a violência administrativa produz esquecimento. O primeiro momento nos legou um folheto que ainda se lê; o segundo deixou um vazio que durante décadas se explicou como falta de vocação, de massa crítica ou de interesse nacional pelas ciências sociais. Não foi nada disso: foi uma decisão, e está documentada", acrescentou o autor.

Metodologia e fontes

O livro se sustenta em fontes de difícil acesso —expedientes universitários, documentação institucional, material do Arquivo do Terror—, conforme explicou Peris. Essa base documental permite reconstruir decisões institucionais que haviam permanecido opacas.

Reflexão sobre o presente

Peris concluiu que a sensação de que a sociologia paraguaia sempre está começando de novo não é um traço inerente, mas um efeito histórico específico: "é o efeito de dois cortes bem datados. Repor essa continuidade é, também, uma maneira de discutir o presente —o que se pode pesquisar, quem o financia, que perguntas continuam resultando inoportunas".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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