Festival Internacional Caminos de la Ópera Lírica revitalizará a cena cultural paraguaia
Evento gratuito organizado pelo Centro Cultural de la República El Cabildo e pela Orquesta Sinfónica del Congreso Nacional acontece de 29 de setembro a 22 de outubro
Um espaço para a ópera no Paraguai
A ópera ocupará um lugar relevante na agenda cultural paraguaia com a realização do Festival Internacional Caminos de la Ópera Lírica, proposta organizada pelo Centro Cultural de la República El Cabildo e pela Orquesta Sinfónica del Congreso Nacional (OSIC), sob a direção artística do maestro Diego Sánchez Haase.
Com acesso gratuito, o encontro se desenvolverá a partir de amanhã e se estenderá até 22 de outubro. A programação incluirá óperas tradicionais, estrenos mundiais, concertos, oficinas, aulas magistrais e espetáculos multidisciplinares, com um percurso que abarcará desde o barroco até a criação contemporânea.
"É um grande desafio impulsionar um festival como este, mas acredito que é momento de fazer renascer a atividade operística no Paraguai", aponta o diretor e compositor Sánchez Haase, que destaca que o país mantém uma intensa vida sinfônica, embora a ópera necessite recuperar espaços.
O diretor sublinha a existência de uma nova geração de cantores que está se consolidando no gênero. "Temos uma nova geração de cantores que está abrindo caminho e que nos promete um bom futuro para a ópera no Paraguai. A OSIC possui uma grande versatilidade para este repertório e uma experiência importante em produções líricas", acrescenta.
Uma programação variada e ambiciosa
A programação se abrirá amanhã, terça-feira 29 de setembro, no Teatro Tom Jobim da Embaixada do Brasil, com Nuevas latitudes líricas, dedicado à ópera contemporânea do Paraguai, Itália e México. Este ato incluirá o estreno mundial de Gastón Gadín. Monólogo de um fuzilado, nova obra de Sánchez Haase com libreto de Pedro Paredes Argüello.
O festival continuará em 6 de outubro com o Díptico Italiano no Teatro Municipal Ignacio A. Pane, e terá um de seus momentos destacados em 16 de outubro com uma versão semiecenificada de Don Giovanni, de Mozart, interpretada por artistas do Paraguai e Brasil junto à OSIC.
Igualmente, a proposta incluirá oficinas de dramaturgia e composição, além de aulas magistrais dirigidas por referentes internacionais como Girolamo Deraco, Alessandro J. Bianchi e Julie Herndorn.
"O festival também quer ser um espaço para os jovens compositores. Queremos estimular que abordem o gênero lírico com uma linguagem contemporânea, que possam se expressar com liberdade e levar à cena as temáticas do nosso tempo", explica Sánchez Haase.
História paraguaia na ópera
Um dos momentos significativos do encontro será o estreno de Gastón Gadín. Monólogo de um fuzilado, quarta ópera de Sánchez Haase, inspirada na história de um jovem francês fuzilado no Paraguai em 1910.
"Quando conheci a história de Gastón Gadín me impactou profundamente. Senti que era necessário levá-la à ópera para refletir sobre temas como a saúde mental, o conflito entre a repressão e o amor, entre a lei e a moral", comenta o compositor.
A obra, de aproximadamente 35 minutos, está escrita para um cantor acompanhado por violino, violoncelo e piano. "Foi uma ópera de difícil gestação porque a história é muito forte. Várias vezes pensei em deixar o projeto, mas senti que devia continuar. Acredito que o resultado é muito interessante", aponta Sánchez Haase.
Uma rede internacional em construção
O festival contará com a participação de artistas da Itália, Brasil, México e Estados Unidos, fortalecendo uma rede internacional que o maestro Diego Sánchez Haase vem construindo há quase uma década junto ao Puccini Chamber Opera Festival de Lucca.
"Esse intercâmbio é fundamental. O caminho que abrimos há anos já está sendo percorrido por outros compositores e cantores latino-americanos, e isso é muito auspicioso para a ópera contemporânea de nossa região", conclui.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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